Acordo Mercosul-União Europeia entra em vigor hoje e promete queda de preços em vinhos, queijos e carros no Brasil

Nesta sexta-feira, 1º de maio de 2026, o cenário do comércio exterior brasileiro vive um marco histórico. Após quase três décadas de negociações e entraves diplomáticos, a parte comercial do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) começa a valer de forma provisória. A medida, que já era aguardada desde a ratificação pelo Senado brasileiro em março, inicia um processo de abertura de mercado que deve transformar as prateleiras e os pátios de concessionárias no país.
A implementação, embora imediata para alguns setores, funcionará sob um regime de desgravação progressiva. Isso significa que, enquanto alguns itens terão o imposto zerado a partir de hoje, outros verão seus preços caírem paulatinamente ao longo dos próximos 10 a 15 anos.

O que fica mais barato de imediato?

A partir de agora, o consumidor brasileiro e a indústria nacional começam a sentir o alívio nas taxas de importação para itens estratégicos. Os principais destaques são:

  • Produtos Industriais e Máquinas: Mais de 2.700 bens industriais passam a ter tarifa zero já nesta fase inicial. Isso inclui máquinas, equipamentos de precisão e compressores, o que deve reduzir o custo de produção para fábricas brasileiras.
  • Insumos Agrícolas: Castanhas, óleos vegetais e alguns tipos de peixes e madeiras entram na lista de isenção imediata.
  • Setor de Exportação: Para o produtor brasileiro, o ganho é direto: café solúvel, suco de laranja e frutas agora acessam o mercado europeu sem as barreiras tarifárias anteriores.

A redução gradual: do vinho ao carro

Para os itens de consumo direto mais famosos da Europa, o acordo estabeleceu cronogramas para proteger a indústria local e permitir uma adaptação suave.

CategoriaTarifa AtualPrazo para Alíquota Zero
Vinhos35%Redução gradual em até 12 anos
Queijos e Laticínios28%Isenção progressiva (dentro de cotas)
Azeite de Oliva10%Redução total em até 4 anos
ChocolatesAté 20%Queda gradual nos próximos anos
Carros (Combustão)35%Zeragem total prevista para 2041

Nota importante: No caso dos automóveis, a queda será mais lenta. O imposto de 35% cairá progressivamente, mas o livre comércio total para veículos europeus movidos a combustão só deve ser atingido no 16º ano de vigência do tratado.

Por que o acordo é “provisório”?

Embora a parte comercial já esteja produzindo efeitos (permitindo a redução de impostos), o acordo ainda precisa da ratificação completa de todos os parlamentos nacionais dos países membros da União Europeia para ser considerado definitivo em seus pilares políticos e institucionais.
Para o governo brasileiro, a entrada em vigor hoje é vista como uma vitória da diplomacia e uma ferramenta essencial para controlar a inflação de produtos importados a longo prazo, além de integrar o Brasil de forma mais profunda às cadeias globais de valor.

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