Bilionária australiana financia projeto de mineração de terras raras na Bahia que ameaça comunidades e áreas de preservação
A corrida global pelos minerais estratégicos da transição energética encontrou um novo e controverso capítulo no interior da Bahia. Um projeto de exploração de terras raras fortemente financiado pela bilionária Gina Rinehart — a mulher mais rica da Austrália e conhecidamente alinhada a posições políticas da extrema-direita e de Donald Trump — avança sobre territórios onde vivem cerca de 120 famílias rurais e tradicionais.
A iniciativa visa extrair elementos valiosos como neodímio, praseodímio e disprósio, minérios essenciais para a fabricação de turbinas eólicas, motores de veículos elétricos e tecnologias de defesa. No entanto, a expansão das pesquisas e o planejamento das cavas operacionais colocam sob risco direto áreas remanescentes de Mata Atlântica, nascentes fundamentais e cursos d’água locais.
Impactos socioambientais e pressão sobre territórios
O avanço do empreendimento na região tem provocado apreensão entre os moradores locais. Pequenos agricultores e famílias de comunidades tradicionais relatam pressão sobre a posse das terras e temem a contaminação dos recursos hídricos por efluentes da atividade mineradora, além da perda da biodiversidade nativa da Mata Atlântica.
Além dos impactos diretos no ecossistema local, entidades ambientalistas apontam para o rito acelerado do licenciamento ambiental e a ausência de uma consulta prévia, livre e informada às populações afetadas, conforme estabelece a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A disputa geopolítica pelas terras raras
O interesse do capital australiano no solo baiano não ocorre por acaso. Os compostos conhecidos como terras raras são atualmente dominados pela China, que controla mais de 70% da extração global e a maior parte do refinamento. A dependência ocidental desses suprimentos fez com que potências econômicas e investidores alinhados a setores conservadores e industriais nos Estados Unidos e na Austrália busquem alternativas urgentes em países do Sul Global.
O envolvimento de Gina Rinehart, magnata da mineração com histórico de oposição a pautas climáticas rígidas e defensora do setor de combustíveis fósseis e mineração pesada, reforça a dimensão política do projeto. A participação da empresária sinaliza como a busca por minerais críticos atrai grande volume de capital privado internacional disfarçado sob o discurso da transição verde, mas que mantém dinâmicas tradicionais de exploração predatória sobre ecossistemas sensíveis e populações locais.
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