Criminoso admite usar conta bancária de terceiro para vender material de abuso sexual infantil: ‘É de uma menina’
Investigação do g1 revela que criminosos usam TikTok como vitrine para atrair compradores e negociam conteúdo ilegal no Telegram, com pagamentos via PIX ou criptomoedas
Um criminoso investigado por comercializar material de abuso sexual infantil admitiu, em conversa interceptada por investigadores, que utiliza a conta bancária de uma terceira pessoa para receber os pagamentos. O caso foi identificado em uma investigação do g1 que revelou como agem as redes criminosas que vendem esse tipo de conteúdo na internet.
“Não [será rastreado], porque esse banco que eu tô usando é de uma menina. Eu recebo muito PIX nele. Já já cai a conta. Daí seu PIX nunca existiu kkkk”, afirmou o criminoso durante a negociação.
A Polícia Federal, no entanto, alerta que a afirmação do criminoso não é verdadeira. Mesmo com o uso de contas de terceiros, as transações via PIX deixam registros bancários que podem ser utilizados pela polícia em investigações.
TikTok como vitrine e Telegram como mercado
A investigação do g1 mostrou que os criminosos utilizam o TikTok como uma espécie de vitrine para promover a venda do conteúdo ilegal. A negociação, porém, é feita dentro do aplicativo de mensagens Telegram.
Os pacotes de material de abuso sexual infantil são vendidos a partir de R$ 10 em canais do Telegram, com pagamentos por PIX ou criptomoedas[reference:4]. Reportagens complementares indicam que os valores podem chegar a R$ 150.
Segundo investigadores da Polícia Federal ouvidos na apuração, os agressores costumam utilizar contas bancárias de ex-namoradas ou até mesmo das próprias vítimas para dificultar o rastreamento.
Empresas se manifestam
Procurado, o Telegram afirmou que proíbe o compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantil e que, apenas neste ano, excluiu mais de 300 mil grupos e canais relacionados a esse tipo de material. O TikTok declarou que remove essas postagens rapidamente e bane as contas envolvidas.
Legislação e pena
Desde agosto de 2026, uma nova legislação endureceu as punições para crimes relacionados a conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes. Para quem produz ou vende esse tipo de material, a pena passou a ser de quatro a dez anos de reclusão, além de multa. A pena aumenta em um terço quando a venda ou exposição ocorre por meio da internet ou redes sociais. Quem compra, possui ou armazena esse material pode receber pena de três a seis anos de reclusão.
Como denunciar
Casos de abuso sexual infantil podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100, pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil ou nas delegacias de polícia. A Polícia Federal também mantém canais para denúncias de crimes cibernéticos.
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