Delação de Gritzbach expõe ligação entre agentes de segurança de SP e o PCC
A delação premiada do empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, executado a tiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos em novembro de 2024, segue trazendo à tona detalhes sobre a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas forças de segurança pública do estado de São Paulo.
Documentos e depoimentos que integram a investigação mostram que, logo após ser preso temporariamente em fevereiro de 2022 por suspeita de lavagem de dinheiro, Gritzbach presenciou um momento crítico na sede do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Na ocasião, um agente da Polícia Civil realizou uma chamada telefônica para um membro da alta cúpula do PCC. Durante a ligação, a liderança da facção pediu explicitamente para o delator “não cometer nenhuma covardia” e manter a calma, em uma clara tentativa de controlar os desdobramentos de suas declarações.
O avanço das apurações desdobrou-se em severas punições no âmbito judicial e administrativo. Policiais civis citados nos depoimentos do delator tornaram-se alvos de condenações por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, resultando no afastamento e prisão dos envolvidos. Além dos agentes civis, a investigação apurou a participação de policiais militares que prestavam escolta paralela e vazavam informações privilegiadas, com diversos integrantes sendo condenados pela Justiça Militar.
As revelações expõem uma teia complexa de extorsões, propinas e acertos informais entre agentes estatais e criminosos da maior facção do país. As defesas dos agentes citados nos autos e dos acusados continuam recorrendo das decisões, alegando falta de provas e contestando as narrativas deixadas pelo empresário.
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