Falso padre volta a enganar fiéis após condenações por estelionato

A Polícia Civil investiga uma nova série de denúncias contra um homem já conhecido da justiça por se passar por sacerdote para aplicar golpes financeiros. Após cumprir penas anteriores por estelionato e falsidade ideológica, o suspeito é acusado de retomar as atividades ilícitas utilizando o mesmo modus operandi: a conquista da confiança de fiéis por meio de uma falsa identidade religiosa para obter doações vultosas.

​O novo golpe: o orfanato inexistente

​Desta vez, o foco do investigado teria sido a arrecadação de fundos para a construção e manutenção de um suposto orfanato. Segundo os relatos colhidos pelas autoridades, o homem utilizava batinas, portava documentos falsificados de ordenação e frequentava comunidades religiosas apresentando-se como um missionário em busca de auxílio para crianças desamparadas.

​Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, relatou ter entregue economias de uma vida inteira ao suspeito.

​”Ele tinha uma fala mansa e um conhecimento profundo dos rituais. Quando ele falou das crianças que passavam fome no orfanato, ninguém hesitou em ajudar”, afirmou.

​A investigação aponta que o tal orfanato nunca existiu. O dinheiro arrecadado era desviado para contas pessoais e utilizado para sustentar um padrão de vida luxuoso, incluindo a compra de veículos e imóveis.

​Reincidência e histórico criminal

​O histórico do acusado é extenso. Em casos anteriores registrados em diferentes estados, ele já havia sido preso por:

  • Falsificação de documento público: Uso de credenciais falsas da Igreja Católica.
  • Furto qualificado: Subtração de objetos de valor das casas de fiéis durante supostas “bençãos residenciais”.
  • Estelionato: Venda de pacotes de peregrinação para locais sagrados que jamais ocorreram.

​Especialistas em segurança pública alertam que golpistas que utilizam a fé como ferramenta tendem a ser reincidentes, pois exploram a vulnerabilidade emocional e a boa-fé de grupos religiosos.

​O outro lado

​Procurado para prestar esclarecimentos, o acusado, por meio de sua defesa, afirmou que só se pronunciará em juízo. No entanto, em um áudio obtido pela equipe de investigação e confirmado por uma das vítimas, o homem chega a admitir o recebimento das doações para a instituição fictícia, alegando posteriormente que houve “problemas burocráticos” na fundação da entidade.

​A Polícia Civil reforça o pedido para que outras possíveis vítimas compareçam à delegacia mais próxima para registrar o boletim de ocorrência, garantindo que o sigilo das informações será preservado.

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