Flávio Bolsonaro critica Pix para MEI anunciado por Lula e acusa governo de uso eleitoral
SÃO PAULO — A disputa do segundo turno das eleições ganhou novos contornos econômicos e políticos nesta semana. Em evento realizado na Associação Comercial de São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) criticou duramente o pacote “Prospera MEI”, anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as medidas, o governo propôs um benefício financeiro de até R$ 5 mil para microempreendedores individuais — apelidado no debate político de “Pix MEI” —, além do perdão de dívidas tributárias da categoria que chegam a R$ 12,6 bilhões.
O senador acusou o adversário de utilizar o plano estatal com fins estritamente eleitoreiros a poucos dias da votação decisiva. “Para chegar agora, a 12 dias da eleição, e falar que vai dar o Pix MEI. Ele está achando que o povo é otário? Que ele pode comprar o voto das pessoas?”, questionou o parlamentar.
Durante a agenda com empresários e líderes do setor produtivo, Flávio afirmou que a atual gestão elevou a carga tributária do país e empurrou os trabalhadores para a informalidade. Ele prometeu que, se eleito, assinará no primeiro dia de governo um pacote de desregulamentação para reduzir impostos e cortar burocracias de forma imediata.
Os dois lados do debate econômico
- O pacote do Governo Federal: Chamado de “Prospera MEI”, o projeto prevê repasses sem necessidade de devolução de até R$ 5 mil para investimentos diretos na atividade produtiva, como reforma de instalações e compra de equipamentos. A medida é estimada em R$ 5 bilhões ao longo de quatro anos e prevê ainda anistia para débitos fiscais de cerca de 3,6 milhões de microempreendedores.
- A proposta de oposição: Flávio Bolsonaro defende um “tesouraço” nos gastos públicos e na tributação para incentivar o empreendedorismo. Prometendo um ajuste fiscal de até R$ 200 bilhões, o senador sustentou que a recuperação do ambiente de negócios virá com a redução da máquina estatal e do custo de conformidade fiscal.
Escala 6×1 e cenários no Congresso
Além das pautas voltadas à microeconomia, a reta final da campanha trouxe posicionamentos importantes sobre a legislação trabalhista. Questionado sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que debate a extinção da escala de trabalho 6×1, Flávio Bolsonaro anunciou que votará favoravelmente ao fim dessa jornada de trabalho, justificando acompanhar o desejo demonstrado pela maioria dos trabalhadores, enquanto defende medidas de compensação para os empregadores.
Com as duas campanhas ajustando seus discursos econômicos, as propostas direcionadas aos pequenos negócios e à classe trabalhadora ganham centralidade nas estratégias de convencimento do eleitorado antes da ida às urnas.
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