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Google Cloud e mercado brasileiro ajustam foco para conectividade e nuvem ate 2030

Google Cloud e mercado brasileiro ajustam foco para conectividade e nuvem ate 2030

​SÃO PAULO — O crescimento explosivo no consumo de serviços baseados em inteligência artificial no Brasil reacendeu o debate sobre os limites e prioridades da infraestrutura digital na América Latina. Apesar do avanço vertiginoso do mercado local de dados — previsto para movimentar cerca de US$ 8 bilhões apenas neste ano —, o Google anunciou uma estratégia centrada na expansão da infraestrutura em nuvem, aceleração do processamento e reforço de redes de conectividade, em vez da construção imediata de novos data centers em solo nacional.

​A confirmação ocorreu durante o evento Google Cloud Summit Brasil, realizado na capital paulista. Na ocasião, a liderança da empresa revelou o plano de dobrar a capacidade de processamento, computação de alta performance e armazenamento voltados à IA no país até o ano de 2030.

​Foco na demanda e no ecossistema de dados

​Segundo Eduardo López, presidente do Google Cloud para a América Latina, os aportes em infraestrutura acompanham a evolução real dos contratos corporativos. A companhia avalia que o momento atual exige responder com maior agilidade ao aumento expressivo de requisições de computação de alta capacidade e inferência de dados por parte das empresas brasileiras.

​”Todo investimento tem a ver com demanda. Nossa aposta de crescimento na demanda das empresas brasileiras é no uso corporativo da IA. Vamos duplicar nossa capacidade no Brasil”, afirmou Eduardo López durante o evento.

​Nesse cenário, os executivos enfatizaram que a infraestrutura moderna de tecnologia não depende isoladamente da construção de edifícios de servidores em larga escala. A estratégia da multinacional assenta-se no equilíbrio entre poder computacional e latência de rede.

​Pilares da expansão no mercado nacional

​A ampliação operacional do ecossistema do Google no Brasil desdobra-se em três eixos principais:

  • ​Processamento e governança local: A partir de outubro, a versão corporativa do Gemini Enterprise passa a executar o processamento de dados do modelo Gemini 3.5 Flash em servidores locais na região de nuvem de São Paulo. A medida apoia corporações em exigências de regulamentação e soberania de dados.
  • ​Aceleração de hardware: O país recebeu atualizações de infraestrutura com a inclusão de máquinas virtuais equipadas com as GPUs Nvidia RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition. Os componentes atendem cargas pesadas de inferência de inteligência artificial em tempo real.
  • ​Conectividade e cabos submarinos: A companhia mantém o investimento em cabos submarinos de fibra óptica como elemento crítico para reduzir o tempo de transmissão de informações entre o Brasil e centros internacionais. O Google explicou que a rota dos cabos submarinos orienta o mapa de expansão da nuvem, garantindo estabilidade às conexões globais.

​Desafios e o ecossistema regional

​A ausência de um data center próprio do Google no Brasil não reflete falta de dinamismo econômico ou técnico. Conforme destacado por Thomas Kurian, presidente global do Google Cloud, a taxa de adoção de tecnologias digitais e de inteligência artificial no Brasil posiciona o país como o principal mercado da América Latina para a empresa. Na América do Sul, a gigante de tecnologia mantém data centers operacionais apenas em Quilicura, no Chile, e em Canelones, no Uruguai.

​Especialistas do setor de telecomunicações apontam que decisões sobre erguer estruturas dedicadas envolvem custos substanciais com energia limpa de alta disponibilidade, planejamento tributário complexo e longos prazos de licenciamento. Enquanto o mercado interno absorve 106 megawatts de nova capacidade de data centers apenas no primeiro semestre deste ano, gigantes globais optam por otimizar as regiões de nuvem existentes, combinando processamento regionalizado com conexões submarinas de altíssima velocidade para suprir a demanda da IA agêntica e de larga escala.


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