Dario Durigan diz que empresa de repasses de Daniel Vorcaro à Dark Horse recebeu recursos do crime organizado
A Polícia Federal e o Ministério da Fazenda avançaram, nesta quinta-feira (24), nas investigações que envolvem esquemas de lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e conexões com o financiamento de produções cinematográficas nos Estados Unidos. De acordo com declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigan, a empresa Entre Investimentos e Participações Ltda. recebeu verbas originadas de facções e organizações criminosas.
A Entre Investimentos é apontada pelos investigadores como a peça-chave na intermediação de remessas financeiras feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao fundo americano Havengate. O veículo foi supostamente utilizado para viabilizar o financiamento do filme Dark Horse.
A Operação Carbono Oculto e as apurações
A revelação foi acompanhada pelo cumprimento de mandados da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal. A ação mira um esquema arquitetado para ocultar a compra da distribuidora de combustíveis Terrana mediante o uso ilícito de precatórios do Banco Master. A ofensiva policial cumpriu ordens de busca e apreensão em endereços ligados a 13 pessoas e 19 empresas distribuídas por sete estados.
Segundo Dario Durigan, a análise financeira aponta para a consolidação de fundos de origens heterogêneas e ilegais em um mesmo ecossistema financeiro:
“Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, de um mesmo bolso. E aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa. Se você tem dinheiro do PCC, tem dinheiro de usina, do crime organizado, de distribuidora de combustível do crime organizado no mesmo bolso, no mesmo fundo, é um trabalho de investigação identificar o que que saiu desse fundo (…). Mas tudo indica que sim”, declarou o ministro.
Trânsito de divisas para o fundo Havengate
No centro das movimentações internacionais está o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, controlador da Entre Investimentos e apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Daniel Vorcaro. Freixo Júnior, que firmou acordo de delação premiada homologado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria efetuado sete repasses ao fundo Havengate entre janeiro e setembro de 2025, totalizando US$ 12,33 milhões.
O fundo Havengate, sediado no Texas (EUA), foi estruturado em 2020 pelos advogados Paulo Calixto e Altieris Santana para transações do setor imobiliário, permanecendo inativo até o início de 2025, quando passou a receber aportes milionários vindos de Vorcaro. A primeira remessa, de US$ 2 milhões, foi operacionalizada diretamente pela Entre Investimentos.
Inquérito no STF e desdobramentos políticos
Em decorrência das apurações da Polícia Federal, o ministro André Mendonça autorizou a abertura de inquérito no STF para averiguar a eventual participação do senador Flávio Bolsonaro na estruturação do modelo de financiamento da obra cinematográfica.
Documentos apresentados pela PF à Justiça mencionam registros de conversas atribuídas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, enviadas ao empresário Daniel Vorcaro pelo publicitário Thiago Miranda. Nas mensagens, haveria diretrizes sobre a condução das remessas ao exterior por meio do fundo inativo, o que levantou indícios de atipicidade e incompatibilidade com o perfil original do veículo financeiro.
As apurações continuam em andamento e correm sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal e das autoridades judiciais nos estados envolvidos.
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