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Investigação revela uso de atestados médicos interestaduais e faltas recorrentes em escolas estaduais no Paraná

Investigação revela uso de atestados médicos interestaduais e faltas recorrentes em escolas estaduais no Paraná

​Uma onda de atestados médicos apresentados por professores da rede estadual de ensino do Paraná tem gerado sobrecarga de trabalho e impasse nas escolas do estado. Denúncias enviadas nas últimas semanas indicam que profissionais contratados pelo Processo Seletivo Simplificado (PSS) e docentes estatutários estão apresentando laudos emitidos por médicos de outros estados — como São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e estados da região Nordeste —, muitos dos quais apontam divergências na frequência de afastamento.

​O cenário é especialmente grave em casos de docentes que atuam em mais de um colégio ou em turnos distintos. Segundo relatos, há situações em que o professor apresenta o atestado e se afasta das atividades em determinada escola, mas continua lecionando normalmente em outra instituição.

​Nas secretarias escolares e direções das unidades, a frequência dos afastamentos acendeu o sinal de alerta. Um dos principais problemas relatados por gestores ocorre nos cursos técnicos integrados ao ensino médio: professores têm apresentado atestados semanais concentrados sempre nos mesmos dias da semana. Com o cancelamento contínuo dessas aulas específicas, conteúdos deixam de ser ministrados, reposições não são realizadas e o cumprimento da carga horária mínima exigida por lei fica comprometido.

​Além do impacto direto na aprendizagem dos alunos, a situação tem gerado um forte desgaste entre as equipes pedagógicas. A orientação formal da Secretaria de Estado da Educação (SEED) para suprir as ausências pontuais é que a pedagogia assuma as turmas e registre os conteúdos em sala de aula. Contudo, os profissionais de apoio pedagógico apontam desvio de função e falta de formação específica para ministrar disciplinas técnicas ou especializadas.

​O acúmulo de funções, aliado à pressão para o cumprimento das metas do calendário escolar sem o quadro docente completo, tem levado gestores e pedagogos ao limite do esgotamento físico e mental na reta final do ano letivo.

​A reportagem busca contato com a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED-PR) e com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) para apurar os protocolos de fiscalização da Perícia Médica do Estado sobre atestados emitidos fora do domicílio do servidor, bem como as medidas previstas para garantir a reposição correta das aulas nos cursos afetados.


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