Lula terá dificuldades no Congresso em 2027 com maioria de centro-direita, aponta estudo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para o seu quarto mandato no Palácio do Planalto, deverá enfrentar um cenário legislativo desafiador a partir de 2027. De acordo com um levantamento elaborado pela ARX Investimentos, os partidos alinhados aos campos ideológicos de direita e centro-direita conquistaram a maioria das cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, o que exigirá intensa articulação política por parte do Poder Executivo para a aprovação de matérias econômicas e reformas estruturais.
O estudo indica que as legendas de centro-direita e direita reunirão 292 dos 513 deputados federais (56,9% da Câmara) e 51 dos 81 senadores (63% do Senado). O Partido Liberal (PL), liderado na disputa presidencial por Flávio Bolsonaro — derrotado por Lula no segundo turno —, consolidou-se como a maior força partidária em ambas as Casas, garantindo 121 cadeiras na Câmara e 29 no Senado. Em contrapartida, o PT formará a segunda maior bancada da Câmara, com 70 parlamentares, podendo alcançar 88 assentos se somados os partidos da Federação Brasil da Esperança (PCdoB e PV).
Segundo Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos e um dos autores do relatório ao lado de Cléo Olimpio, Matheus Caliano e Eric Fernandes, a nova configuração das Casas Legislativas tende a impor um ambiente de tensão entre o governo e os parlamentares, principalmente no tocante às pautas econômicas e fiscais. O estudo salienta que o bloco governista, composto por legendas de esquerda e centro-esquerda, somará 126 deputados, número distante da maioria absoluta necessária (257 votos) para a deliberação de projetos de lei ordinária.
No entanto, analistas do levantamento ponderam que o predomínio de partidos conservadores e liberais não garante uma atuação totalmente unificada contra o Palácio do Planalto. A distribuição regional das bancadas — especialmente no Nordeste, onde siglas de centro e centro-direita como PSD, PP, MDB e União Brasil contam com forte representação — pode abrir margem para composições pontuais, resgatando a dinâmica do presidencialismo de coalizão.
Enquanto no Senado o bloco de centro-direita atinge quórum suficiente para aprovar Propostas de Emenda à Constituição (PECs) de maneira isolada (necessita de 49 votos e somará 51), na Câmara a aliança necessitaria de mais 16 votos para atingir a marca de 308 deputados exigida para matérias constitucionais. Com a redução da fragmentação partidária efetiva em relação a 2022, o governo Lula precisará negociar prioritariamente com as lideranças das maiores bancadas a fim de evitar a paralisia legislativa.
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