Ministro Flávio Dino determina que Polícia Federal investigue omissão da Comissão de Valores Mobiliários no caso do Banco Master
Brasília — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito na Polícia Federal para apurar suspeitas de omissão e eventuais ilícitos penais cometidos por integrantes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na fiscalização de operações vinculadas ao Banco Master. A decisão baseia-se em relatórios de auditoria interna da própria autarquia, que revelaram falhas estruturais, arquivamentos indevidos de denúncias e inconsistências na aplicação de sanções entre os anos de 2017 e 2026.
Em seu despacho, o ministro apontou que os indícios levantados ultrapassam a esfera de “possíveis irregularidades exclusivamente administrativas ou regulatórias”, sugerindo a ocorrência de crimes que podem envolver interferências indevidas e condutas dolosas.
Falhas na fiscalização e alerta do Fundo Garantidor de Crédito
A auditoria interna da CVM identificou que alertas relevantes sobre operações de alto risco foram desconsiderados pela autarquia. Entre eles, destaca-se uma denúncia formalizada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) referente à alocação de mais de R$ 3 bilhões em ativos ilíquidos e a indícios de manipulação de mercado.
Apesar da gravidade do alerta, a área técnica do órgão regulador classificou o relato como “anônimo e inverossímil”, promovendo o arquivamento sem o devido confronto dos dados com os sistemas internos de monitoramento. O relatório interno também evidenciou disparidades no tratamento de infrações graves, que por vezes resultavam apenas em “ofícios de alerta” em vez da instauração de processos administrativos sancionadores formais.
Prazo de 72 horas e acesso aos autos
Diante dos achados, Flávio Dino fixou um prazo de 72 horas para que a CVM entregue ao STF a cópia integral dos procedimentos arquivados que envolvem a instituição financeira. A autarquia deverá prestar informações detalhadas sobre:
- A identificação dos agentes públicos e chefias técnicas que analisaram e decidiram pelo arquivamento dos alertas;
- O fundamento jurídico e os motivos para a decretação do regime de sigilo sobre as apurações;
- O mapeamento de todos os setores e instâncias decisórias por onde tramitaram as denúncias.
A investigação ocorre no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.791, que discute a estrutura, a capacidade orçamentária e a autonomia operacional da CVM na execução de suas atividades de supervisão do mercado de capitais. A apuração conduzida pela Polícia Federal busca esclarecer se a conduta dos servidores e gestores da autarquia configurou prevaricação, condescendência criminosa ou outros crimes contra o sistema financeiro.
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