Oposição tenta adiar votação da PEC do fim da escala 6×1 no Senado e pressiona Davi Alcolumbre
A bancada de oposição no Senado Federal iniciou uma articulação intensa para adiar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. O objetivo dos senadores oposicionistas é postergar a deliberação do texto para depois do segundo turno das eleições, sob a alegação de que pautar o tema no momento atual atende a um movimento eleitoral do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Liderados por nomes como o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), e pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), os parlamentares pretendem se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para redefinir o calendário de votação. Rogério Marinho classificou a pressa para votar a matéria como “oportunista” e afirmou que a oposição defende a flexibilização das jornadas de trabalho, e não a imposição da redução sem corte proporcional de salários, como prevê o texto aprovado pela Câmara dos Deputados.
Disputa de narrativas no processo eleitoral
A articulação política ocorre em meio ao acirramento do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Enquanto a base aliada ao governo tenta acelerar a apreciação da matéria para transformá-la em uma das principais marcas sociais do mandato antes da ida às urnas, a oposição avalia que a votação imediata favorece o projeto de reeleição do atual presidente.
Por outro lado, integrantes do PL e aliados do candidato oposicionista argumentam que o modelo em discussão pode trazer impactos severos aos custos operacionais do setor produtivo e do comércio, resultando em desemprego. Alternativamente, o grupo propõe modelos que permitam ao trabalhador negociar a própria carga horária ou contratá-lo por horas trabalhadas.
O impasse e os próximos passos no Plenário
O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, indicou que a votação em primeiro turno poderia ocorrer nos próximos dias, desde que cumpridas as sessões regimentais de discussão. O governo busca alternativas para acelerar os prazos internos, mas enfrenta a resistência articulada para adiar os debates.
Para que a PEC seja aprovada e siga para promulgação, é necessário o apoio mínimo de 49 senadores em dois turnos de votação. Caso o texto seja alterado substancialmente pela oposição por meio de destaques ou emendas de mérito, a proposta terá de retornar para nova análise dos deputados federais.
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