A discussão sobre o papel do Brasil na transição energética global ganhou um novo capítulo com a intensificação da campanha pela criação da Terrabras – Empresa Estatal de Terras Raras. O movimento, que reúne acadêmicos, lideranças políticas e entidades ligadas à soberania mineral, busca consolidar o controle nacional sobre minerais estratégicos indispensáveis para a tecnologia de ponta.
O manifesto e a proposta estratégica
O abaixo-assinado lançado recentemente argumenta que o Brasil, detentor de uma das maiores reservas de terras raras do mundo, não pode se limitar à exportação de minério bruto. A proposta da Terrabras visa:
- Verticalização da Produção: Garantir que o refino e a separação dos elementos ocorram em solo brasileiro.
- Segurança Tecnológica: Fornecer insumos para a fabricação nacional de ímãs permanentes, turbinas eólicas e componentes de veículos elétricos.
- Soberania Mineral: Evitar a dependência excessiva de players externos, como a China, que atualmente domina mais de 80% do processamento global desses materiais.
Contexto atual e cenário global
No cenário de 2026, a corrida pelos “minerais do futuro” tornou-se o centro da geopolítica industrial. O governo federal tem sinalizado a intenção de fortalecer o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e a Agência Nacional de Mineração (ANM), mas os defensores da estatal argumentam que apenas uma empresa dedicada pode competir em escala global e garantir que o valor agregado permaneça no país.
Atualmente, projetos privados no Brasil, especialmente em estados como Minas Gerais e Goiás, já iniciaram a extração, mas o gargalo continua sendo a tecnologia de separação química pesada, área onde a Terrabras atuaria como indutora de desenvolvimento tecnológico.
“A criação de uma estatal não é apenas uma questão econômica, mas de segurança nacional. Sem o domínio do ciclo das terras raras, o Brasil será mero espectador da revolução verde,” afirma o texto do manifesto.
Próximos passos
O movimento busca agora ampliar o apoio no Congresso Nacional para que a proposta de criação da empresa seja enviada como projeto de lei. Enquanto isso, o debate sobre o Marco Legal da Mineração segue em pauta, com foco em como equilibrar a exploração estatal com as parcerias público-privadas necessárias para o financiamento de infraestrutura de alto custo.
Nota: Esta matéria foi redigida com base em propostas de movimentos de soberania mineral e reflete o debate atual sobre políticas públicas para o setor de mineração no Brasil.




