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Zema e Caiado recusam pressão de Flávio Bolsonaro e mantêm candidaturas à Presidência

Zema e Caiado recusam pressão de Flávio Bolsonaro e mantêm candidaturas à Presidência

​A poucos dias das eleições, o cenário na corrida ao Palácio do Planalto ganha contornos de forte tensão no campo da direita. O candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), procurou pessoalmente os ex-governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) para solicitar que ambos retirassem suas candidaturas. O objetivo da investida era liquidar a fatura eleitoral e tentar definir a disputa ainda no primeiro turno, agendado para o dia 4 de outubro. No entanto, os dois adversários rejeitaram a proposta e garantiram que vão até o fim na disputa.

​A articulação de bastidores ocorreu na última semana, mas teve sua recusa confirmada pelos próprios envolvidos e por interlocutores próximos nesta terça-feira (29). Zema confirmou ter recebido a chamada do parlamentar e afirmou ter declinado o pedido de imediato. Na mesma linha, aliados de Caiado pontuaram que o ex-governador de Goiás permanece firme no pleito.

​Pressão de bastidores e movimento em São Paulo

​A investida de Flávio Bolsonaro ocorre em meio a um movimento coordenado pela ala bolsonarista para tentar afunilar as opções do eleitorado conservador na reta final do primeiro turno. A pressão se intensificou após o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) anunciar a desistência de sua candidatura ao Senado por São Paulo para apoiar as chapas de Guilherme Derrite (PP) e Cleber do Prado (PL).

​Ao renunciar ao pleito paulista, Salles sugeriu publicamente que o partido Novo reavaliasse o cenário nacional e sugeriu um alinhamento do ex-governador mineiro com Flávio. “Enquanto o Zema for o candidato do meu partido, eu tenho a obrigação moral de apoiá-lo. Mas se o Zema entender que seja possível uma união já no primeiro turno, essa decisão dele terá meu apoio”, declarou Salles.

​Apesar da fala do aliado, a cúpula do Novo reagiu rapidamente. Zema divulgou pronunciamento nas redes sociais reafirmando sua pré-candidatura, enquanto a direção do partido em Minas Gerais respaldou a continuidade da campanha.

​Estratégia regional em Minas Gerais

​A tentativa de unificação nacional reflete uma estratégia replicada também nas disputas estaduais. Em Minas Gerais, cresce a pressão do PL para que o empresário Flávio Roscoe (PL) abra mão de sua postulação ao Governo do Estado em prol do senador Cleitinho (Republicanos). A avaliação de estrategistas é de que a unificação em torno de Cleitinho consolidaria os votos do segmento em solo mineiro, garantindo um palanque forte para alavancar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro no estado. A equipe de Roscoe, contudo, negou qualquer recuo e manteve a candidatura ao Palácio Tiradentes.

​Com a negativa de Zema e Caiado, a direita chega à reta final com candidaturas pulverizadas, mantendo a disputa aberta e reduzindo as chances de uma vitória antecipada no primeiro turno.


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