As movimentações políticas no Paraná ganharam um novo capítulo com a consolidação de uma frente composta por PT, PV, PCdoB, PDT e PSB. O grupo busca neutralizar a influência eleitoral do senador Sergio Moro (PL) e consolidar um palanque de oposição robusto para o pleito de 2026. A estratégia foca na unificação de discursos e na ocupação de espaços que hoje são dominados pelo “lavajatismo” e pelo apoio à direita no estado.
O cenário da frente ampla
A aliança, que reúne siglas do campo progressista e de centro-esquerda, mira diretamente o espólio político de Moro e a sucessão estadual. Segundo informações de bastidores, a ideia é evitar a fragmentação de votos que ocorreu em eleições anteriores, criando uma alternativa viável ao eleitorado paranaense que rejeita tanto o atual governo estadual quanto a figura do ex-juiz.
Os principais eixos da articulação incluem:
- Isolamento político: Explorar o desgaste de Moro junto a setores do Judiciário e sua transição partidária para o PL.
- Construção de palanque único: Definir nomes competitivos para o governo e para as duas vagas que estarão em disputa no Senado em 2026.
- Contraponto ao “Ratinhismo”: Enfrentar a alta aprovação do governador Ratinho Junior (PSD), que hoje aparece como principal aliado indireto de Moro em certos cenários.
Pesquisas e o “fator Moro”
Apesar da articulação da frente, Sergio Moro demonstra resiliência nas pesquisas. Levantamentos recentes realizados em abril de 2026 indicam que o senador lidera as intenções de voto para o Governo do Paraná, chegando a registrar entre 46% e 52,5% nos cenários estimulados.
A frente anti-Moro, no entanto, aposta na alta rejeição de nomes ligados ao PT no estado — como a deputada Gleisi Hoffmann — para tentar atrair partidos de centro que ainda estão indecisos. A estratégia é apresentar uma “terceira via” paranaense que consiga dialogar com o agronegócio e a classe média, setores que hoje são a base de Moro.
Disputa pelo Senado em foco
Com duas vagas abertas para o Senado em 2026, a frente busca viabilizar nomes como Requião Filho (PDT) e lideranças do PSB para barrar o avanço de aliados de Moro, como Deltan Dallagnol (Novo) e Alvaro Dias (MDB), que também aparecem bem posicionados nas sondagens.
Nota do Redator: A união desses cinco partidos representa a maior tentativa de reorganização da esquerda paranaense na última década, desafiando a hegemonia conservadora que se instalou no estado desde 2018. O sucesso da empreitada dependerá da capacidade de unificar o discurso econômico com as demandas locais, indo além do simples embate personalista contra o ex-juiz da Lava Jato.




