A função social do jornalismo e a independência dos órgãos de controle no Paraná tornaram-se alvos de um debate crescente sobre os limites entre a fiscalização pública e a influência política. Questionamentos sobre a postura da mídia diante de temas sensíveis, como a venda de ativos estatais e o retorno das cancelas de pedágio, levantam dúvidas sobre se a cobertura atual atende ao interesse coletivo ou se silencia diante de engrenagens complexas do poder.
O papel da mídia e a confusão com o judiciário
Diferente do que parte da opinião pública ou até mesmo setores da comunicação podem sugerir, os veículos de imprensa não possuem atribuições judiciais. Embora o jornalismo investigativo tenha o poder de expor irregularidades que baseiam inquéritos, a “imprensa questionável” — termo usado para descrever portais ou jornais com alinhamentos políticos explícitos — muitas vezes atua como um braço de ressonância de interesses específicos, distanciando-se do dever de informar com profundidade.
A crítica central reside na sensação de “distração planejada”: enquanto temas periféricos ocupam as manchetes, questões estruturais como a ficha de autoridades e as decisões internas de tribunais parecem ficar em segundo plano.
Escrutínio sobre o TC-PR e as privatizações
O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), sob a nova cúpula diretiva para o biênio 2025-2026, enfrenta o desafio de manter a fiscalização rigorosa em um cenário de intensa atividade do Executivo.
- Privatizações: O governo de Ratinho Junior tem defendido uma agenda robusta de desestatizações, citando eficiência e atração de investimentos. No entanto, a falta de matérias de fundo que expliquem os termos contratuais e os impactos a longo prazo para o consumidor final é um ponto de crítica recorrente por parte da oposição e de movimentos sociais.
- Fiscalização: Recentemente, o TCE-PR emitiu a Instrução Normativa nº 195/2025, estabelecendo prazos rígidos para o envio de dados financeiros em 2026, sob pena de multas e bloqueio de certidões. O cumprimento dessas regras é o que impede, na teoria, que a “mão que rouba” passe despercebida pelos sistemas de auditoria.
O retorno dos pedágios e as empresas envolvidas
Um dos temas mais sensíveis para o paranaense é o retorno das cobranças nas rodovias. O novo modelo, que inclui leilões na Bolsa de Valores (B3), promete tarifas menores, mas o histórico das empresas gera desconfiança.
| Empresa/Lote | Situação Atual (Abril 2026) | Observação |
|---|---|---|
| Lote 5 (BR-158/163/etc) | Leilão realizado em out/2025 | Assinatura e início de operação em 2026. |
| Tecnologia Free Flow | Implementação prevista para 2026 | Testes em rodovias como a PR-445 e BR-376. |
| Concessionárias Antigas | Reabilitação jurídica | Decisões anteriores do TCE que proibiam empresas da Lava Jato de licitar foram alvo de recursos e anulações. |
| A cobrança da sociedade é clara: a imprensa deve ir além do anúncio de “obras e investimentos” e investigar a fundo a composição acionária dessas empresas e se as obrigações contratuais do passado foram devidamente quitadas ou se foram “esquecidas” nos novos editais. |
O silêncio que incomoda
A ausência de matérias sobre a trajetória de figuras políticas e as minúcias das decisões do Tribunal de Contas alimenta a percepção de que a fiscalização é seletiva. Em um estado onde o agronegócio e a infraestrutura movimentam bilhões, o papel do jornalista deve ser o de “vigia”, e não o de espectador dos movimentos do xadrez político.




