Santa Marta, Colômbia – Teve início nesta semana a Primeira Conferência Internacional para a Transição Justa dos Combustíveis Fósseis, um evento histórico que reúne cerca de 60 governos nacionais e locais em solo colombiano. Co-organizada pela Colômbia e pelos Países Baixos, a cúpula busca consolidar um “porto seguro” para nações decididas a abandonar a dependência do petróleo, gás e carvão, operando de forma complementar aos mecanismos do Acordo de Paris.
O encontro, que ocorre entre 24 e 29 de abril de 2026, marca um avanço significativo na diplomacia climática liderada pelo presidente colombiano Gustavo Petro. Diferente de conferências anteriores, o foco aqui é a criação de um roteiro jurídico e econômico para o Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis, proposta que ganha força diante da urgência climática global.
Os três eixos da transição
A programação da conferência está estruturada em pilares estratégicos que visam transformar a matriz energética global sem desestabilizar as economias dependentes:
- Superação da dependência econômica: Estratégias para países exportadores diversificarem suas receitas.
- Transformação da oferta e demanda: Políticas para frear novas explorações e reduzir o consumo industrial e doméstico.
- Cooperação internacional: Alinhamento com a recente opinião consultiva do Tribunal Internacional de Justiça, que reforça a obrigação legal dos Estados em proteger o clima.
Ciência e política em diálogo
O segmento de alto nível, com a presença de ministros e chefes de Estado, está previsto para os dias 28 e 29 de abril. Antecedendo as decisões políticas, um painel científico apresentou recomendações rigorosas, incluindo o bloqueio imediato de novos projetos de infraestrutura fóssil e a eliminação de subsídios que, segundo especialistas, poderiam reduzir as emissões globais em até 10% até 2030.
A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Susana Muhamad, destacou que a conferência não busca apenas o debate, mas a entrega de um “menu de soluções” prático. “Não podemos continuar mentindo para a população; não estabilizaremos o clima ampliando a fronteira de extração”, afirmou em sessões preliminares.
Participação e ausências notáveis
Embora conte com o apoio de nações como Noruega, Canadá e a União Europeia, o bloco enfrenta o desafio de convencer os maiores emissores mundiais. Estados Unidos, China e Índia não enviaram representantes oficiais para a adesão ao tratado, evidenciando a tensão entre o crescimento industrial e as metas de descarbonização.
O Brasil, que tem sido convidado recorrentemente pela Colômbia para aderir ao tratado, mantém uma postura cautelosa, equilibrando o papel de liderança ambiental com os interesses da indústria petrolífera nacional.
“Estamos evitando o ‘omnicídio’ do planeta. Não há outra fórmula, todo o resto é uma ilusão.” — Gustavo Petro, Presidente da Colômbia.
A expectativa é que, ao final da plenária geral, seja divulgado um documento conjunto estabelecendo metas juridicamente vinculantes para o corte de metano e a eletrificação verde, servindo de base para as discussões da próxima COP.




