Complexo de murcha desafia canavicultores e demanda estratégias integradas de manejo

O setor sucroenergético brasileiro enfrenta um inimigo silencioso que tem ganhado terreno nas últimas safras: o complexo de murcha. Diferente de patologias causadas por um único agente, essa condição resulta de uma interação perniciosa entre fungos, estresses ambientais e falhas fisiológicas da planta, exigindo um olhar atento dos produtores desde o plantio até a colheita.
De acordo com Luiz Henrique Marcandalli, head de marketing da Rainbow Agro, a murcha não é apenas um problema isolado, mas uma resposta da cana-de-açúcar a múltiplos agressores. O impacto é severo, afetando não apenas a tonelagem por hectare (TCH), mas também a qualidade da matéria-prima enviada às usinas.

O que compõe o complexo de murcha?

O fenômeno é caracterizado principalmente pela presença de fungos de solo e de sistema vascular. Entre os principais agentes identificados em campo estão:

  • Fusarium spp.: Responsável pela obstrução dos feixes vasculares, impedindo a passagem de água e nutrientes.
  • Colletotrichum falcatum: Comumente associado à podridão vermelha, que frequentemente atua em sinergia com a murcha.
  • Fatores abióticos: Veranicos prolongados e solos compactados potencializam a entrada e a disseminação desses fungos.

Novidades e avanços no manejo

As atualizações mais recentes do setor indicam que o manejo químico isolado já não é suficiente. Pesquisas de instituições como o IAC (Instituto Agronômico) e o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) apontam para três pilares fundamentais de controle:

  1. Variedades Resistentes: A escolha do material genético é a primeira linha de defesa. Variedades com melhor sistema radicular têm demonstrado maior resiliência ao complexo.
  2. Manejo Biológico: O uso de microrganismos benéficos, como o Trichoderma, tem crescido exponencialmente. Eles atuam no controle de fungos de solo e promovem o crescimento das raízes.
  3. Saúde do Solo: A correção física e química do solo é vital. Plantas nutridas e em solos descompactados conseguem fechar “portas de entrada” para os patógenos.

Impacto industrial: O prejuízo além do campo

O complexo de murcha não se limita a matar a planta. Ele provoca a inversão da sacarose e o aumento do teor de fibras e impurezas fenólicas. Para a usina, isso significa uma cana mais difícil de processar, com menor rendimento de açúcar e etanol por tonelada esmagada.

“O produtor precisa entender que o manejo do complexo de murcha deve ocorrer ao longo de todo o ciclo produtivo. A prevenção começa no preparo do solo e se estende até o manejo de soqueira”, afirma Marcandalli.

Com a previsão de variações climáticas mais intensas para os próximos anos, a adoção de tecnologias de monitoramento e o uso de fungicidas sistêmicos de última geração tornam-se indispensáveis para garantir a sustentabilidade econômica da canavicultura nacional.

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