Mendonça cobra delação efetiva de Vorcaro e alerta que investigações do Caso Master avançam

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), subiu o tom nesta quinta-feira (7) ao comentar as especulações sobre um possível acordo de colaboração premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em nota oficial, o magistrado esclareceu que, embora a delação seja um direito de defesa, ela só terá validade jurídica se for “séria e efetiva”, servindo como um instrumento real para a elucidação de crimes.
O posicionamento ocorre em um momento crítico da Operação Compliance Zero. Enquanto a defesa de Vorcaro tenta viabilizar o acordo — que incluiria a proposta de devolução de montantes bilionários em um cronograma de dez anos —, o gabinete de Mendonça negou ter tido acesso formal aos termos da proposta até o momento, reforçando que o processo de negociação ocorre inicialmente entre o investigado e os órgãos de acusação (Polícia Federal e Ministério Público).

Novas frentes: Ciro Nogueira na mira

A manifestação de Mendonça coincide com o desencadeamento da 5ª fase da operação pela Polícia Federal. As investigações apontam que a rede de influência de Vorcaro teria alcançado o alto escalão do Legislativo.

  • Suspeita de Propina: A PF investiga o pagamento de até R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
  • Emenda “Sob Encomenda”: Mensagens interceptadas sugerem que o empresário teria redigido pessoalmente o texto de uma emenda parlamentar, apresentada por Nogueira, que visava aumentar o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
  • Vantagens Indevidas: Há indícios de que o Banco Master custeava despesas pessoais, faturas de cartões de crédito e viagens internacionais para o senador.

Condições para a liberdade

Daniel Vorcaro permanece preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Para o STF, a homologação de qualquer acordo dependerá da entrega de provas robustas que superem o que já foi coletado nas fases anteriores da operação. Mendonça foi enfático ao alertar que as diligências e a colheita de provas “seguirão independentemente de um acordo”, indicando que o Judiciário não interromperá o ritmo das buscas enquanto aguarda a colaboração.

“A colaboração premiada é um meio de obtenção de prova que exige eficácia. Sem elementos novos e concretos, o instituto não se sustenta apenas como tentativa de relaxamento de prisão”, pontuou o ministro nos bastidores do tribunal.

O que está em jogo

O Caso Master é considerado um dos maiores esquemas de corrupção financeira e tráfico de influência da década, envolvendo núcleos políticos, operadores financeiros e suspeitas de vazamento de informações sigilosas dentro dos próprios órgãos de controle. O desfecho da delação de Vorcaro — e se ela de fato atingirá outros nomes do Judiciário e do Congresso — deve ser definido apenas no próximo mês.

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