As movimentações de bastidores para a disputa das duas vagas ao Senado Federal pelo Paraná ganharam novos contornos nas últimas semanas. O termômetro interno do Palácio Iguaçu, frequentemente associado aos levantamentos de consumo interno encomendados por aliados do governador Ratinho Júnior (PSD) — apelidados no meio político de “DataRatinho” —, apresentou mudanças significativas na cartela de possíveis candidatos do grupo governista.
A principal novidade é a exclusão do nome de Guto Silva, ex-secretário da Casa Civil e das Cidades, das simulações principais e a inclusão do Coronel Hudson Leôncio Teixeira, que deixou recentemente o comando da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SPSA).
Dança das cadeiras no secretariado e novas estratégias
A mudança nos testes de intenção de voto coincide com a recente reforma forçada no primeiro escalão do governo do estado, motivada pelo prazo de desincompatibilização eleitoral. Tanto Guto Silva quanto o Coronel Hudson deixaram suas respectivas pastas no início de abril para estarem aptos a disputar o pleito de outubro.
- Guto Silva: Embora tenha manifestado publicamente seu desejo de construir uma candidatura ao Senado pelo PSD e defendido que o estado precisa de uma “voz firme”, o recuo de seu nome nas sondagens internas governistas estaria atrelado a avaliações de desempenho que não atingiram o teto esperado pelo núcleo duro do Palácio Iguaçu.
- Coronel Hudson: Recém-saído da Segurança Pública com altos índices de aprovação interna devido a operações integradas no estado, o militar passou a ser testado como uma alternativa de “voto de opinião” e de forte apelo no setor de segurança e ordem pública.
O xadrez político e a pressão pelas vagas
O grupo político liderado por Ratinho Júnior enfrenta um dilema de acomodação de aliados. Partidos da base, como o Republicanos e o PL, também cobram espaço nas chapas majoritárias.
A disputa interna dentro do PSD e das siglas aliadas ganhou força diante do cenário em que o próprio governador Ratinho Júnior pontua alto para o Senado em pesquisas institucionais (como Paraná Pesquisas e Real Time Big Data), dividindo o topo das intenções com nomes como Cristina Graeml e o ex-senador Alvaro Dias.
Se por um lado o governador precisa gerenciar as pressões de figuras consolidadas na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), como o deputado Alexandre Curi, por outro, os testes com novos nomes da burocracia estatal — como o Coronel Hudson — servem para medir até que ponto a máquina pública consegue transferir capital político em áreas estratégicas para o eleitorado paranaense. As atas partidárias e as convenções oficiais devem definir, nos próximos meses, quem de fato assegurará o espaço na urna.





