O cenário político para as eleições presidenciais sofreu uma forte reviravolta após os desdobramentos das investigações que envolvem o Banco Master. Uma nova rodada da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira, aponta um crescimento consolidado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresenta uma queda significativa em seu desempenho eleitoral.
A mudança brusca nos números ocorre imediatamente após a divulgação de áudios e conversas vazadas que ligam diretamente o senador ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira. O episódio acabou gerando forte desgaste para a oposição e freou a trajetória de crescimento que o parlamentar vinha registrando nos levantamentos anteriores.
Avanço de Lula e queda de Flávio nas simulações
De acordo com os dados mais recentes do instituto, em um eventual cenário de segundo turno, Lula lidera com 48,9% das intenções de voto contra 41,8% de Flávio Bolsonaro. O resultado interrompe a situação de empate técnico que vinha se desenhando nos meses anteriores, abrindo uma confortável vantagem de cerca de sete pontos percentuais a favor do atual mandatário.
O impacto da crise é ainda mais evidente quando analisado o primeiro turno. O presidente Lula saltou para 47% das intenções de voto, ao passo que Flávio Bolsonaro recuou para 34,3%. O resultado acende o sinal de alerta no quartel-general bolsonarista, dado que, em abril, o senador havia alcançado o patamar de 39,7% na série histórica da AtlasIntel — o seu melhor desempenho até então.
Percepção pública e o impacto do escândalo
O levantamento da AtlasIntel buscou medir especificamente o estrago político causado pelo vazamento das conversas de Daniel Vorcaro. A avaliação da opinião pública foi majoritariamente negativa para o senador da República: 45,1% dos entrevistados declararam que a divulgação das conversas “enfraqueceu muito” a pré-candidatura presidencial de Flávio. Outros 19% consideram que o episódio “enfraqueceu um pouco”, totalizando mais de 64% de percepção de desgaste. Em contrapartida, apenas 13,4% acreditam que o caso fortaleceu sua posição política.
O avanço de Lula também se refletiu na reconquista de fatias cruciais do eleitorado que haviam migrado para a oposição. O atual presidente retomou a liderança entre eleitores que ganham entre dois e cinco salários mínimos, invertendo o placar de abril para 43% a 38% a seu favor. Na faixa de renda de até dois salários mínimos, Lula ampliou sua vantagem, registrando 50% frente a 32% do oponente.
Apesar do forte baque nas intenções gerais de voto, Flávio Bolsonaro mantém resiliência e competitividade em nichos tradicionais do campo conservador. O parlamentar segue à frente entre os eleitores evangélicos, com 61% contra 24% de Lula, e lidera numericamente entre a população masculina (47% a 39%), além de segurar a preferência entre eleitores com ensino superior e com rendimentos acima de cinco salários mínimos.
Cenários alternativos
A pesquisa também simulou confrontos de segundo turno entre Lula e outros possíveis nomes da direita e centro-direita como alternativas a Flávio Bolsonaro. Contudo, em todas as opções testadas, o atual presidente mantém uma margem confortável de favoritismo:
- Lula contra Romeu Zema (Novo): O petista vence por 47,8% contra 37,6% do ex-governador mineiro.
- Lula contra Ronaldo Caiado (PSD): Lula pontua 47,5% contra 38,5% do político goiano.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.032 eleitores entre os dias 15 e 18 de maio. A margem de erro estimada é de um ponto percentual para mais ou para menos, apresentando um nível de confiança de 95%. O levantamento foi devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06939/2026.





