Flávio Bolsonaro admite ter visitado Daniel Vorcaro após prisão do banqueiro do Banco Master


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República para as eleições de 2026, admitiu publicamente que foi à residência do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, logo após o empresário ter a prisão preventiva relaxada no fim de 2025. O encontro ocorreu na residência de Vorcaro em São Paulo, período no qual o banqueiro cumpria prisão domiciliar monitorada por tornozeleira eletrônica.
De acordo com o parlamentar, a ida à casa do controlador do Banco Master teve como objetivo esclarecer que ele não manteria relações com o empresário após os desdobramentos judiciais. A justificativa foi apresentada em meio à repercussão do vazamento de áudios e mensagens de WhatsApp trocados entre ambos, que expuseram uma intensa negociação financeira.
A aproximação entre o senador e o banqueiro envolveu o pedido de patrocínio de R$ 134 milhões para a produção do filme “Dark Horse”, uma obra audiovisual biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Interceptações e investigações jornalísticas apontaram que Vorcaro teria chegado a liberar cerca de R$ 61 milhões para o projeto, utilizando transferências internacionais direcionadas a um fundo nos Estados Unidos. O envio das mensagens de cobrança intensificou-se às vésperas de novembro de 2025, período em que a Polícia Federal prendeu o banqueiro sob a acusação de liderar fraudes financeiras estimadas em bilhões de reais, culminando na posterior liquidação do Banco Master pelo Banco Central.
Em sua defesa, Flávio Bolsonaro ressaltou que sua conduta não configurou crime, uma vez que se tratava da busca por patrocínio privado para uma iniciativa estritamente privada, sem a utilização de recursos públicos ou mecanismos federais de incentivo fiscal, como a Lei Rouanet. O senador afirmou ainda que os valores provenientes da bilheteria correspondentes ao retorno do investimento de Vorcaro serão formalmente colocados à disposição das autoridades competentes.
O episódio gerou forte instabilidade nos bastidores da campanha presidencial do Partido Liberal (PL). Integrantes da legenda manifestaram preocupação com o impacto do caso sobre o eleitorado e junto ao mercado financeiro. Diante do desgaste político e das recentes pesquisas de opinião que apontam oscilações negativas em sua imagem pública, Flávio Bolsonaro passou a defender a instalação imediata de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional para investigar as operações do Banco Master, argumentando que a apuração legislativa será o instrumento adequado para separar responsabilidades e demonstrar sua inocência no caso.

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