A Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Supremo Tribunal Federal (STF) travam um forte impasse nas negociações para o acordo de colaboração premiada do ex-banqueiro. A proposta inicial apresentada pela defesa de repassar R$ 40 bilhões em um prazo de dez anos foi firmemente rejeitada pelas autoridades, que consideraram os valores e as condições insuficientes diante do volume total movimentado no esquema sob investigação.
Os investigadores da operação agora exigem uma contraproposta que alcance a marca de R$ 60 bilhões em ressarcimentos aos cofres públicos. Caso os novos termos não sejam aceitos pelo colaborador, os órgãos de controle acenam com a possibilidade real de rejeitar integralmente o acordo de delação.
O nó das negociações: Valores e prazos na mesa
Os principais pontos de divergência que travaram o andamento do acordo concentram-se em duas frentes:
- O montante financeiro: Enquanto a defesa tentava fixar o teto do ressarcimento em R$ 40 bilhões, auditorias e cruzamentos de dados realizados pelos investigadores apontam que o desvio real e o impacto financeiro gerado demandam uma reparação mínima de R$ 60 bilhões.
- O cronograma de pagamento: O parcelamento sugerido de uma década foi visto pela PGR como uma tentativa de diluir o impacto da penalidade, postergando o retorno dos ativos ao erário de forma desvantajosa para o Estado.
O risco jurídico: A rejeição da delação premiada devolve ao investigado o risco de enfrentar penas máximas nos processos em andamento, sem o benefício de redução de sanções ou imunidades que vinham sendo costuradas na mesa de negociação.
Próximos passos do processo
Com o ultimato dado pela equipe de investigação, a defesa estuda as alternativas para reformular a proposta. A validação de um acordo desse porte pelo STF exige não apenas a confissão detalhada de crimes e a entrega de provas substanciais contra terceiros, mas também a garantia de que o dano financeiro causado seja integralmente mitigado de forma célere e proporcional à gravidade das infrações.





