Flávio Bolsonaro admite encontro com Daniel Vorcaro após prisão e aumenta mal-estar na bancada do PL


BRASÍLIA – O cenário político na capital federal ganhou novos contornos de tensão. Em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), confirmou publicamente que realizou uma visita presencial ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no final de 2025. O encontro ocorreu na residência do empresário, em São Paulo, logo após ele ter sido solto de sua primeira prisão pela Polícia Federal e passar a cumprir medidas restritivas sob o uso de tornozeleira eletrônica.
A confirmação caiu como uma bomba nos bastidores do Partido Liberal (PL), aprofundando o clima de desconfiança e ampliando o desgaste político enfrentado pela bancada da legenda no Congresso Nacional.

A justificativa do senador e o filme “Dark Horse”

De acordo com Flávio Bolsonaro, a reunião teve como objetivo exclusivo colocar um “ponto final” nas tratativas financeiras que envolviam o projeto do filme Dark Horse, produção cinematográfica que narra a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador argumentou que conheceu Vorcaro em 2024, época em que o empresário circulava livremente pelas esferas de poder em Brasília e era considerado um investidor acima de qualquer suspeita.

“No final de 2025, foi aquele áudio que vocês ouviram. No dia seguinte, ele foi preso. Neste momento, foi a virada de chave, entendemos que a situação era mais grave. Estive com ele mais uma vez, quando ele usava monitoramento eletrônico, apenas para tratar do encerramento do projeto”, declarou o parlamentar.

O áudio mencionado pelo senador refere-se a um vazamento recente, divulgado pela imprensa, no qual ele solicita aportes financeiros ao banqueiro para viabilizar a continuidade do longa-metragem. Diante do escândalo que envolve o Banco Master — liquidado pelo Banco Central após investigações de fraudes bilionárias —, Flávio informou que eventuais receitas futuras oriundas dessas parcerias contratuais serão isoladas e colocadas à disposição das autoridades.

Pressão das urnas e desconforto na bancada

A mudança brusca na estratégia de comunicação de Flávio Bolsonaro, que antecipou a coletiva de imprensa, foi motivada pela divulgação da mais recente pesquisa eleitoral do instituto AtlasIntel em parceria com a Bloomberg. Os números acenderam o sinal de alerta no QG bolsonarista: afetado diretamente pelo “Caso Master”, o senador registrou uma queda de seis pontos percentuais nas simulações de segundo turno, aparecendo com 41,8% das intenções de voto contra 48,9% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora lideranças da oposição e congressistas mais alinhados, como o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), tenham saído formalmente em defesa de Flávio nas redes sociais alegando se tratar de um desgaste artificial promovido por adversários, o sentimento nos corredores do partido é de forte apreensão.
Parlamentares da bancada do PL admitem reservadamente que saíram da última reunião partidária com ainda mais dúvidas e temem o impacto que o avanço das investigações criminais contra Vorcaro possa trazer para as eleições municipais e para a imagem da legenda a longo prazo. Investigadores apontam que o ex-banqueiro tenta negociar um acordo de delação premiada, propondo a devolução de cerca de R$ 40 bilhões em dez anos para evitar novos mandados de prisão preventiva.
Para tentar conter a sangria e reverter a narrativa, a estratégia do PL agora foca em duas frentes: acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar os critérios metodológicos da pesquisa Atlas/Bloomberg e acelerar a coleta de assinaturas para a instalação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Banco Master no Congresso, sob a justificativa de que a comissão será o foro adequado para “separar inocentes de culpados”.

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