A edição deste ano da Brazil Week, tradicional semana de eventos que reúne a elite política e empresarial brasileira em Nova York, registrou uma mudança drástica em sua dinâmica habitual. Conhecido como um dos principais palcos de articulação e ampliação de influência internacional do país, o encontro de 2026 foi marcado por um esvaziamento da classe política, com os holofotes se voltando quase que exclusivamente para o meio corporativo.
De acordo com organizadores e participantes, o principal fator para o sumiço dos parlamentares e governantes foi o avanço da Operação Master, deflagrada recentemente pela Polícia Federal. A proximidade das urnas e o início oficial do calendário da corrida eleitoral também acenderam o sinal de alerta, fazendo com que muitos líderes optassem por concentrar suas bases no Brasil em vez de se exporem em jantares de gala na Times Square.
Ausências de peso e o ‘fator Master’
Entre os desfalques mais comentados esteve o do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O parlamentar, que figura historicamente como uma das presenças mais assíduas e influentes do evento, cancelou sua agenda nos Estados Unidos após ser alvo de mandados de busca e apreensão dias antes do início do fórum.
A cautela não se limitou a ele. Setores do Congresso e governadores de estados de peso econômico adotaram uma postura de recolhimento. Nos bastidores, a avaliação unânime é de que o clima político tenso em Brasília e o receio de novas fases da operação policial tornaram as viagens internacionais um risco desnecessário para a imagem pública dos envolvidos.
Empresários assumem o protagonismo
Com as cadeiras de Brasília vazias, o empresariado e o setor financeiro nacional assumiram a centralidade dos debates. Painéis sobre investimentos em infraestrutura, transição energética e inteligência artificial dominaram a pauta.
Se por um lado a ausência de grandes caciques políticos esvaziou as tradicionais rodadas de negociação de bastidores entre o público e o privado, por outro, permitiu uma agenda mais técnica e focada na atração de capital estrangeiro para o mercado brasileiro, sem o ruído das polarizações partidárias que costumam ecoam de Nova York.





