PF e CGU desarticulam esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias do INSS


A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU), desfechou novos desdobramentos na histórica Operação Sem Desconto, cujo objetivo é desmantelar uma sofisticada organização criminosa especializada em fraudar aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Estimativas oficiais apontam que o esquema movimentou e ocultou uma verdadeira fortuna, gerando um rombo acumulado de aproximadamente R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024.
As investigações detalham que o grupo criminoso atuava na aplicação de descontos associativos fraudulentos, diretamente na folha de pagamento de milhares de segurados espalhados pelo país, sem qualquer tipo de autorização prévia dos beneficiários. O dinheiro subtraído ilegalmente era pulverizado por meio de um complexo esquema de lavagem de capitais para ocultar o patrimônio dos líderes da quadrilha.
Recentemente, as frentes investigativas ganharam forte tração institucional com a instalação da CPMI do INSS no Congresso Nacional, liderada pelo senador Carlos Viana. Em março de 2026, uma das principais conquistas da corporação foi a localização e captura, em São Paulo, de um dos últimos foragidos considerados peças-chave na engrenagem financeira do grupo — um operador ligado diretamente ao líder do esquema, apelidado de “Careca do INSS”. Conforme apontam os relatórios policiais, o núcleo financeiro da quadrilha encontra-se agora praticamente desmantelado.
O avanço da apuração já provocou fortes abalos na estrutura da autarquia federal, resultando no afastamento e exoneração de figuras do alto escalão do órgão, como o ex-presidente do INSS, além de diretores de relacionamento e coordenadores-gerais de pagamentos suspeitos de facilitar a inserção de dados falsos nos sistemas oficiais e violar sigilos funcionais.
O cerco judicial e policial resultou no bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens e ativos financeiros pertencentes aos investigados. Os envolvidos na fraude milionária enfrentam acusações graves perante a Justiça Federal, incluindo os crimes de corrupção ativa e passiva, estelionato previdenciário, organização criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem ultrapassar décadas de reclusão.

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