ARILSON Chiorato confronta governo Ratinho Junior sobre “caixa livre” de R$ 10 bilhões no Paraná
CURITIBA – O cenário político paranaense subiu de temperatura nesta semana com o embate direto entre a liderança da Oposição e a cúpula econômica do Palácio Iguaçu. O deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da bancada oposicionista na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), colocou sob suspeita o anúncio de um “caixa livre” de R$ 10,5 bilhões feito pela gestão de Ratinho Junior (PSD). Para o parlamentar, o montante, alardeado como o maior do Brasil para investimentos, carece de transparência e pode estar “maquiado” por compromissos financeiros já existentes.
O questionamento ganhou força durante a audiência pública de prestação de contas do governo, realizada nesta terça-feira (24). Chiorato anunciou que está protocolando um pedido formal de informações para que a Secretaria da Fazenda (Sefa) detalhe a real disponibilidade desses recursos. “O governo faz propaganda de um cofre cheio, mas precisamos saber quanto disso é dinheiro novo e quanto já está carimbado para obras em andamento e convênios assinados que ainda não foram pagos”, disparou o deputado.
O “superavit” sob suspeita
De acordo com os dados oficiais divulgados pelo Governo do Estado em 19 de fevereiro de 2026, o Paraná teria fechado janeiro com R$ 10,5 bilhões disponíveis para novos investimentos, superando estados como São Paulo (R$ 5,9 bilhões). O governo atribui o resultado ao “enxugamento da máquina” e cortes de gastos não essenciais.
No entanto, a Oposição aponta inconsistências. Segundo levantamento preliminar citado por Chiorato, cerca de R$ 5,5 bilhões desse valor já estariam pactuados em contratos de infraestrutura e parcerias com municípios, o que descaracterizaria o termo “caixa livre”.
Embate na ALEP
Durante a audiência na Assembleia, o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, defendeu a solidez dos números, afirmando que o Paraná possui uma gestão fiscal rigorosa e que as críticas são “fora da realidade”. Ortigara enfatizou que o estado tem mais caixa do que dívidas, o que permite um planejamento arrojado para os próximos anos.
Por outro lado, Arilson Chiorato rebateu a tese de eficiência total. O parlamentar lembrou episódios recentes de cancelamentos de dotações orçamentárias — que chegaram a R$ 11,2 bilhões em períodos anteriores — para reforçar sua tese de falta de planejamento. “O que vemos é um governo que retira dinheiro de áreas essenciais via decreto e depois anuncia superavit para fazer marketing político”, criticou o líder petista.
Próximos passos
O pedido de informações protocolado pela Oposição exige que o governo apresente uma planilha detalhada, separando o que é saldo líquido para novos projetos e o que são restos a pagar de exercícios anteriores. Além da questão do caixa, a Oposição mantém o governo sob pressão em outras frentes, como a recente privatização da Celepar e as investigações sobre possíveis irregularidades em contratos de estatais.
A expectativa agora gira em torno do prazo de resposta do Executivo. Se as planilhas confirmarem que o valor está comprometido, a Oposição promete levar o caso aos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), alegando propaganda enganosa com recursos públicos.
































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