Ato na Paulista reúne Flávio, Nikolas e governadores em ensaio para reunificar direita
A Avenida Paulista voltou a ser o epicentro da mobilização conservadora neste domingo, 1º de março de 2026. O ato “Acorda, Brasil”, convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), serviu como um termômetro decisivo para a direita brasileira em um momento de fragmentação interna e definições estratégicas para o pleito presidencial que se aproxima.
O evento marcou a primeira aparição pública de peso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desde que sua pré-candidatura ao Planalto foi oficializada. A presença de Flávio no topo do trio elétrico ao lado de governadores como Tarcísio de Freitas (SP) e Ronaldo Caiado (GO) buscou projetar uma imagem de unidade, tentando estancar o racha que tomou conta do grupo nos últimos meses.
Entre a união e o racha familiar
Apesar do tom de pacificação adotado nos discursos, os bastidores do ato revelam uma direita ainda em busca de sua “bússola”. Com o ex-presidente Jair Bolsonaro cumprindo pena em regime de reclusão, o protagonismo na Paulista foi disputado por diferentes alas.
- A “ala pragmática”: Liderada por Tarcísio de Freitas e governadores, foca na gestão e na crítica técnica ao governo federal.
- A “ala ideológica”: Encabeçada por Nikolas Ferreira, mantém o discurso combativo contra o Judiciário e o Executivo.
- O núcleo familiar: A ausência de um engajamento público imediato de Michelle Bolsonaro e de Nikolas na campanha de Flávio tem gerado atritos. Recentemente, críticas públicas de Eduardo Bolsonaro expuseram a insatisfação com a falta de apoio explícito da ex-primeira-dama ao irmão, o que elevou a temperatura das discussões nas redes sociais antes da manifestação.
Pautas do manifesto
Os manifestantes, ocupando cerca de sete quarteirões da via, entoaram gritos de “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”. Além das críticas diretas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao atual presidente, a pauta da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 foi o tema central dos discursos mais inflamados.
Diferente de mobilizações anteriores, o pastor Silas Malafaia, embora presente, não liderou a organização direta, que ficou a cargo da estrutura parlamentar do PL. Para analistas, o evento foi uma tentativa clara de “limpar a área” e verificar se a base eleitoral responde à liderança de Flávio Bolsonaro da mesma forma que respondia à do pai.
Próximos passos
O sucesso de público, estimado por centros de pesquisa como um dos maiores dos últimos meses, dá fôlego à pré-candidatura de Flávio, mas não resolve a questão da hegemonia. A direita sai da Paulista com o desafio de converter a energia das ruas em uma chapa presidencial coesa, superando as desconfianças entre o núcleo familiar e os governadores que também miram 2026.

































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