Aporte aos Correios pode ser adiado para 2027 conforme anúncio de Esther Dweck
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou nesta terça-feira (17) que o aporte de capital da União para os Correios provavelmente não ocorrerá em 2026, podendo ser postergado para 2027. A declaração foi feita durante a apresentação do balanço da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), em Brasília.
Segundo Dweck, a previsão de suporte financeiro por parte do governo federal já constava no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado pela estatal com um consórcio de bancos em dezembro de 2025. O documento estabelecia uma janela para o aporte entre 2026 e 2027. “No próprio contrato dizia que podia ser 2026 ou 2027. Então, isso está sendo estudado. Provavelmente o aporte esse ano não deve acontecer”, explicou a ministra.
Estratégia de recuperação e novos empréstimos
Mesmo com o adiamento do aporte direto do Tesouro, o governo e a diretoria dos Correios buscam alternativas para manter o plano de reestruturação da companhia. Recentemente, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a estatal a captar até R$ 8 bilhões adicionais em empréstimos com garantias da União.
Essa nova linha de crédito faz parte de um plano maior que visa injetar um total de R$ 20 bilhões na empresa para sanar dívidas e modernizar operações. Até o momento, a estatal já conseguiu renegociar cerca de 98,2% de suas dívidas com fornecedores, gerando uma economia estimada em R$ 321 milhões.
Plano de reestruturação inclui cortes e fechamentos
A demora no aporte financeiro ocorre em um momento crítico de reestruturação. Para tentar reverter o déficit — que em 2024 chegou a R$ 3,2 bilhões e tem projeção de piora para 2026 — os Correios estão implementando medidas severas:
- Programa de Demissão Voluntária (PDV): A meta é reduzir o quadro de funcionários em 15 mil pessoas nos próximos dois anos, o que representa um corte de 18% na folha de pagamento.
- Fechamento de agências: Cerca de mil agências consideradas deficitárias devem encerrar as atividades.
- Venda de ativos: A estatal planeja leiloar imóveis subutilizados, com expectativa de arrecadar R$ 1,5 bilhão.
Apesar dos desafios, Esther Dweck demonstrou otimismo, afirmando que as receitas da estatal estão vindo acima do esperado em 2026 e que o plano de recuperação está sendo seguido rigorosamente com acompanhamento mensal do ministério. A expectativa do governo é que a lucratividade da empresa seja retomada gradualmente até 2027, ano em que o aporte final deve consolidar a saúde financeira da instituição.

































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