Renan Santos aciona o TSE contra Flávio Bolsonaro por suposto impulsionamento ilícito de posts no exterior
O candidato à Presidência da República Renan Santos, pelo partido Missão, ingressou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira (23/9) contra o senador e também postulante ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL). A medida judicial acusa a campanha do parlamentar de se beneficiar de uma suposta interferência estrangeira e de irregularidades no impulsionamento de conteúdos eleitorais nas redes sociais.
A representação foi motivada por revelações trazidas pelo portal Metrópoles, que identificou que contas registradas fora do Brasil no X (antigo Twitter) estavam contratando publicações patrocinadas com a marca de “parceria paga” (Paid Partnership) para promover a imagem de Flávio. Segundo a denúncia do partido Missão, perfis norte-americanos de direita e com ligações ao ambiente político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estariam pagando para distribuir conteúdos em favor do senador brasileiro direcionados ao eleitorado nacional.
As postagens sob suspeita utilizavam dados do mercado de apostas da plataforma Polymarket para defender o suposto favoritismo do candidato do PL, sob o argumento de que ele “salvaria o Brasil” do esquerdismo. O uso dessas métricas ocorre em um cenário no qual a plataforma Polymarket teve o acesso bloqueado no Brasil pelo governo federal por operar sem a devida autorização para a oferta de contratos ou apostas sobre eleições e política nacional.
A legislação eleitoral brasileira (Lei nº 9.504/1997) proíbe expressamente que partidos, coligações ou candidatos recebam qualquer modalidade de doação — direta ou indireta, inclusive por meio de publicidade e propaganda — proveniente de entidades, empresas ou governos estrangeiros. Adicionalmente, as normas estabelecem que todo impulsionamento de conteúdo político-eleitoral na internet seja contratado e financiado de forma exclusiva por representantes oficiais das campanhas registradas no país, com a identificação clara e inequívoca do contratante.
Com o acionamento da Corte Eleitoral, o partido de Renan Santos solicita a investigação da origem dos recursos utilizados para impulsionar tais publicações, bem como a responsabilização dos envolvidos. Caso comprovada a ilegalidade, as condutas podem configurar abuso de poder econômico, propaganda irregular e financiamento ilícito de campanha.
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