A cidade de Cubatão, que outrora carregou o estigma de “Vale da Morte”, consolidou nesta semana sua transição definitiva para a economia verde. Em um movimento estratégico para monetizar seus ativos ambientais, a prefeitura formalizou a criação do Programa Cubatão Verde, tornando-se o primeiro município da Baixada Santista apto a comercializar créditos de carbono em um mercado estruturado.
O anúncio oficial ocorreu durante a 1ª Conferência Municipal dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – Cubatão 2030, realizada em 31 de março de 2026. O evento marcou a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o prefeito César Nascimento e o Instituto Brasileiro de Educação e Desenvolvimento em Inovação Sustentável (Ibedis).
Os pilares da nova economia cubatense
A iniciativa foca na transformação de áreas de preservação, como os mais de 3 milhões de metros quadrados de manguezais e as encostas da Serra do Mar, em ativos financeiros. O programa será estruturado sob os seguintes eixos:
- Certificação ESG-GGA: Utilização de metodologia que soma critérios ambientais e de governança a metas globais de adaptação climática.
- Investimento Privado: O modelo de negócio não prevê o uso de dinheiro público. Os recursos serão captados junto a empresas e fundos internacionais interessados em compensar emissões.
- Justiça Climática: A receita gerada será obrigatoriamente reinvestida em projetos sociais, com foco em habitação para substituir palafitas e obras de drenagem urbana em áreas vulneráveis.
De símbolo da poluição a modelo sustentável
A virada de chave de Cubatão é emblemática. Nos anos 80, a cidade foi considerada pela ONU a mais poluída do mundo. Hoje, ao alinhar-se à Lei nº 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, o município busca atrair indústrias de baixo carbono e consolidar um polo de energia renovável.
”Estamos estruturando um novo modelo de desenvolvimento que gera emprego e coloca Cubatão na vanguarda do mercado de carbono no Brasil”, afirmou o prefeito César Nascimento durante o evento.
Com a assinatura do ACT, a próxima fase do projeto envolve o diagnóstico técnico e a quantificação dos ativos para que os créditos possam ser emitidos e negociados no mercado voluntário e regulado. A expectativa é que o modelo sirva de vitrine para outras cidades industriais que buscam conciliar preservação com crescimento econômico.




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