A Polícia Federal iniciou uma investigação detalhada para apurar a origem e o destino de R$ 746 mil em espécie apreendidos com José do Carmo Vieira, de 66 anos, e o policial civil aposentado Sergio Felipe. A abordagem ocorreu na Rodovia Fernão Dias, em São Paulo, enquanto a dupla seguia em direção a Minas Gerais em um veículo Hyundai HB20.
De acordo com o registro da ocorrência, o montante estava acondicionado em uma caixa de papelão no banco traseiro do carro. Ao ser questionado pelos agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), José do Carmo Vieira identificou-se como “coordenador político” do Podemos e afirmou que o dinheiro teria saído de uma reunião do partido realizada na capital paulista. Ele alegou que os valores seriam utilizados para “efetuar pagamentos”, mas não soube especificar a origem lícita do montante nem apresentou documentação que comprovasse a procedência legal dos recursos.
Contexto e desdobramentos
Horas antes da prisão, o motorista do veículo, Sergio Felipe, chegou a publicar uma foto em suas redes sociais em frente a um banner do Podemos, confirmando sua presença em um evento da legenda. O caso ganha contornos mais complexos devido ao histórico dos envolvidos:
- José do Carmo Vieira: Possui trajetória política em Minas Gerais, tendo presidido o diretório municipal do PTN (antigo nome do Podemos) e atuado como assessor parlamentar. Além disso, é sócio de uma empresa de transporte com contratos ativos em prefeituras mineiras.
- Sergio Felipe: Policial civil aposentado e membro de comissões de trânsito em Minas Gerais. No momento da abordagem, ele conduzia o veículo.
Posicionamento do partido
Em nota oficial emitida nesta semana, o Podemos buscou se distanciar do episódio. A legenda afirmou que José do Carmo Vieira “não é filiado ao partido e não ocupa qualquer função formal ou cargo na estrutura da sigla”. O partido declarou ainda que acompanha as investigações e aguardará a conclusão do inquérito para novas manifestações.
Investigação criminal
O caso foi encaminhado à delegacia da Polícia Federal em Campinas. Os investigadores trabalham agora com as hipóteses de lavagem de dinheiro e possíveis crimes eleitorais, dada a proximidade do calendário político e a alegação de que o recurso seria destinado a “pagamentos” partidários. A PF deve intimar dirigentes da sigla e analisar registros de câmeras e documentos da sede onde teria ocorrido a suposta reunião para verificar a veracidade do depoimento dos suspeitos.
Até o momento, a defesa de José do Carmo e de Sergio Felipe não se pronunciou detalhadamente sobre as acusações, e o espaço permanece aberto para manifestações.




