A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta semana a Operação Mare Liberum, desarticulando um esquema de corrupção e contrabando na alfândega do Porto do Rio de Janeiro que pode ter movimentado cifras astronômicas. Durante as buscas, agentes encontraram verdadeiras “montanhas de dinheiro” escondidas em residências de servidores da Receita Federal, incluindo cerca de R$ 2 milhões ocultos dentro de um piano e grandes quantias em dólares.
A investigação, realizada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal, aponta que o grupo criminoso — composto por auditores fiscais, analistas tributários, despachantes e importadores — teria facilitado o desembaraço irregular de mercadorias e a supressão de impostos. Segundo estimativas da Receita, as irregularidades em quase 17 mil declarações de importação podem ter causado um prejuízo de até R$ 86 bilhões aos cofres públicos entre 2021 e 2026.
Servidores afastados e dinheiro apreendido
A Justiça Federal determinou o afastamento imediato de 17 auditores fiscais e oito analistas tributários de suas funções. Entre os alvos, destaca-se o auditor Pedro Antônio Pereira Thiago, cuja defesa ainda não foi localizada para comentar o caso. Em uma das residências, em Niterói, a PF apreendeu maços de dinheiro em espécie e dólares, enquanto em outro imóvel, pertencente a uma auditora, os valores estavam escondidos no interior de um instrumento musical. No total, as apreensões em espécie já somam quase R$ 4,5 milhões.
O modus operandi da quadrilha
O esquema funcionava em três frentes principais:
- Liberação de mercadorias: Facilitação do fluxo de cargas para evitar fiscalizações rigorosas.
- Setor de Óleo e Gás: Liberação de embarcações e equipamentos sem a devida revisão aduaneira.
- Vantagens indevidas: Recebimento de propinas pagas por operadores portuários para agilizar processos ou ignorar infrações.
Próximos passos
Além dos afastamentos, a PF cumpriu 45 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, além do bloqueio de bens de nove despachantes envolvidos. Os investigados devem responder pelos crimes de corrupção passiva e ativa, contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A Receita Federal informou que as apurações internas continuam para identificar a extensão total do dano e garantir que todos os envolvidos sejam punidos administrativamente, além das sanções penais.




