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Flávio e Lula iniciam 2º turno atrás do espólio de Cury, Renan e Caiado

Flávio e Lula iniciam 2º turno atrás do espólio de Cury, Renan e Caiado

Brasília — A disputa pela Presidência da República entra em sua fase decisiva com Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltando suas atenções para os mais de 9,3 milhões de votos depositados nos dez candidatos derrotados no primeiro turno, realizado no domingo (4). O segundo turno está marcado para 25 de outubro, e a diferença entre os dois finalistas é de pouco mais de 2 milhões de votos.

Com 99,99% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral, Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno com 56.104.268 votos (47,03%), enquanto Lula obteve 53.876.617 votos (45,16%). Na terceira colocação, o escritor Augusto Cury (Avante) conquistou 3.448.551 votos (2,89%), seguido por Renan Santos (Missão), com 2.675.878 votos (2,24%), e Ronaldo Caiado (PSD), com 2.605.128 votos (2,18%). Juntos, os três principais derrotados acumulam mais de 8,7 milhões de votos, um contingente que pode ser decisivo em uma eleição tão acirrada.

A estratégia de Flávio Bolsonaro

A campanha do senador Flávio Bolsonaro aposta na adesão dos candidatos da chamada “terceira via” e em um “efeito manada” de lideranças do Centrão que se mantiveram neutras no primeiro turno. O foco principal do QG bolsonarista é buscar o apoio dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além do escritor Augusto Cury (Avante).

Flávio pretende se reunir entre terça e quarta-feira com o presidente do PP, Ciro Nogueira, e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, em busca de aproximação com partidos do Centrão. A orientação interna é tratar o segundo turno como uma nova eleição e trabalhar para ampliar o eleitorado para além da base bolsonarista, evitando uma campanha baseada apenas em ataques.

Quanto a Renan Santos, o entorno de Flávio não pretende buscar seu apoio. O candidato do Missão vem sendo chamado no bolsonarismo de “linha auxiliar do PT” por sua postura beligerante ao longo do primeiro turno. Ainda assim, o senador pretende herdar boa parte dos 2,7 milhões de votos do candidato do Missão.

O desafio de Lula

O presidente Lula tem um desafio imediato: convencer os ex-adversários a apoiá-lo ou, pelo menos, garantir que se mantenham neutros na disputa. Segundo fontes da campanha, uma das principais alternativas é mirar em um possível apoio de Augusto Cury (Avante), conquistando o eleitor do psiquiatra ou, ao menos, mantendo-o neutro.

Com Ronaldo Caiado e Romeu Zema, o processo será mais complicado, mas o partido não descarta tentativas de diálogo. A campanha de Lula deve trabalhar para impedir que eles se aliem a Flávio. Renan Santos, por sua vez, pode se aliar ao presidente, mas fez uma campanha pautada em atacar ambos os lados e pode preferir a neutralidade — o que ainda seria um ganho para o petista no atual cenário.

Aliados próximos do presidente avaliam que o principal temor é que a vantagem de Flávio no primeiro turno provoque um efeito manada a favor do candidato do PL em partidos do Centrão, isolando Lula e dificultando a ampliação de apoios. A campanha petista organiza para esta segunda-feira (5) um encontro com políticos aliados que disputaram vagas ao Senado e aos governos estaduais para discutir o rumo da candidatura no segundo turno.

Em pronunciamento após o resultado, Lula classificou o cenário como “inesperado” e afirmou que o segundo turno é “a hora da prova dos nove”. “Eu sou muito bom no mata-mata, no tête-à-tête”, declarou o presidente, que também destacou o número de abstenções, que ultrapassou os 33 milhões de eleitores.

Para onde vão os votos

Pesquisas de intenção de voto já mapeiam a migração do eleitorado dos candidatos derrotados. Levantamento Quaest divulgado em setembro apontou que os eleitores de Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado migram em maior proporção para Flávio Bolsonaro do que para Lula.

Entre os eleitores de Cury, 41% escolheriam Flávio em um confronto direto com Lula, enquanto 25% migrariam para o petista. A vantagem do candidato do PL é ainda maior entre os eleitores de Renan Santos: 50% votariam em Flávio e 18% optariam por Lula. Já entre os apoiadores de Caiado, 46% escolheriam Flávio e 20% votariam no atual presidente.

A tendência se inverte entre os eleitores de Romeu Zema (Novo). Nesse segmento, Lula recebe 38% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 32% de Flávio Bolsonaro.

Já a pesquisa Meio/Ideia, divulgada em 30 de setembro, apresentou um cenário diferente para os eleitores de Cury: 55,6% votariam em Lula em um segundo turno contra Flávio, enquanto 27,8% migrariam para o candidato do PL. Entre os eleitores de Renan Santos, a transferência é mais concentrada: 82,2% escolheriam Flávio Bolsonaro, e apenas 17,8% optariam por Lula.

Cenário das pesquisas

Levantamentos recentes mostram um segundo turno tecnicamente empatado. Pesquisa Quaest divulgada em 3 de outubro apontou Flávio Bolsonaro com 44% das intenções de voto contra 42% de Lula, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na mesma data, pesquisa PoderData/AYA mostrou os dois candidatos empatados com 46% cada.

O Datafolha de 1º de outubro indicou Lula com 48% contra 45% de Flávio, também em empate técnico. A pesquisa RealTime Big Data, divulgada no mesmo dia, mostrou Flávio numericamente à frente, com 46% contra 45% de Lula.

Com 87% dos eleitores que indicaram um candidato afirmando que não mudarão o voto, a disputa pelos votos dos derrotados — e pelos mais de 33 milhões de abstenciosos — será o fator decisivo nas próximas três semanas.


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