Após um período de otimismo marcado pela redução da inflação e ajustes fiscais severos, a relação entre o governo do presidente argentino Javier Milei e o mercado financeiro internacional enfrenta um momento de volatilidade. Investidores de Wall Street passaram a demonstrar cautela renovada quanto à sustentabilidade do modelo econômico argentino, o que levou o risco-país da Argentina a registrar uma expressiva alta acumulada na casa dos 20% recentemente, superando a marca de 500 pontos-base.
O movimento reflete o recuo nos preços dos títulos soberanos em dólar (como os Bonares e Globales) e a queda de papéis das principais empresas do país negociados em Nova York. Segundo análises divulgadas pela Revista Veja e dados de mercado reportados pelo portal ICL Notícias, o indicador calculado pelo JPMorgan vem subindo continuamente, revertendo parte das reduções históricas atingidas nos meses anteriores.
Fragilidades da economia real e alerta do FMI
Embora a desaceleração da inflação mensal — que ficou em 2,1% em julho — continue a ser exibida como a principal conquista da gestão, analistas apontam que a recuperação econômica se mostra extremamente heterogênea. Setores como agronegócio, mineração e energia sustentam parte da atividade, enquanto áreas intensivas em mão de obra — a exemplo da indústria, do comércio e da construção civil — enfrentam desaceleração contínua e retração no nível de emprego.
Paralelamente, relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI) ressaltam que, apesar dos avanços no superávit fiscal primário, o nível das reservas internacionais líquidas permanece em patamares baixos, deixando a Argentina vulnerável a eventuais choques externos ou turbulências políticas.
Dúvidas sobre o longo prazo
Para os analistas do mercado financeiro, a discussão central deixou de focar apenas no equilíbrio das contas públicas de curto prazo. O principal questionamento de Wall Street recai sobre a capacidade do governo de gerar crescimento econômico consistente e manter suporte político suficiente para viabilizar os compromissos financeiros e os grandes vencimentos da dívida programados para os próximos anos.
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