Parlamentares acionam PGR e STF para investigar elo entre Flávio Bolsonaro e banqueiro Daniel Vorcaro


Deputados federais da base governista e do PSOL protocolaram, nesta semana, pedidos formais de investigação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A ofensiva jurídica ocorre após revelações do site The Intercept Brasil indicarem que o parlamentar teria negociado diretamente com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, um aporte de R$ 134 milhões para financiar um filme biográfico sobre a família Bolsonaro.
As suspeitas ganharam força com a divulgação de áudios e mensagens de WhatsApp atribuídas ao senador. Em um dos diálogos, datado de novembro de 2025, Flávio teria escrito: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”. Segundo a reportagem, o montante bilionário teria sido operacionalizado por meio de transferências internacionais enviadas a um fundo nos Estados Unidos, gerido por um advogado ligado à família.
O fator Daniel Vorcaro
O centro da polêmica envolve a figura de Daniel Vorcaro, que se encontra preso sob a acusação de liderar uma organização criminosa voltada a fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), questionou a disparidade de valores do projeto cinematográfico em comparação a grandes produções nacionais. “Qual é a biografia que tem o senhor Jair Bolsonaro para ter um filme de R$ 134 milhões? Precisamos saber para o bolso de quem foi esse dinheiro”, afirmou o deputado em coletiva no Salão Verde.
Defesa e desdobramentos
Em nota oficial, o senador Flávio Bolsonaro confirmou ter buscado patrocínio com o empresário, mas defendeu a legalidade do ato. Ele classificou a situação como uma “relação privada” e ressaltou que o projeto não utiliza recursos públicos ou verbas da Lei Rouanet. “O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, declarou o senador, negando qualquer intermediação de negócios com o governo ou recebimento de vantagens indevidas.
Além dos pedidos de investigação criminal, parlamentares como Lindbergh Farias (PT-RJ) pediram ao STF o bloqueio de bens do senador e sua prisão preventiva. No Congresso, já se articula a criação de uma CPI para investigar as atividades do Banco Master e suas conexões com agentes políticos, enquanto o PSOL estuda acionar o Conselho de Ética do Senado por suposta quebra de decoro parlamentar.

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