O ex-governor de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), utilizou o palco da 27ª Marcha dos Prefeitos, realizada em Brasília, para disparar fortes críticas a figuras centrais da política e do Judiciário nacional. Em seu discurso a gestores municipais de todo o país, o político mineiro mirou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, acirrando os ânimos na corrida eleitoral de 2026.
Durante a sabatina com os presidenciáveis no evento, Zema buscou se consolidar como uma alternativa firme de direita, marcando uma postura de distanciamento e independência. Em suas declarações, ele direcionou críticas à condução da ala bolsonarista — representada no evento por Flávio Bolsonaro — ao apontar que o país necessita de “credibilidade para liderar e tomar decisões difíceis”, sugerindo implicitamente que a atual oposição carece de rumo técnico. O senador Flávio Bolsonaro também esteve no evento apresentando propostas na véspera, o que transformou a Marcha em um palco de disputa direta pelo espólio político conservador.
A alfinetada mais dura, contudo, mirou o Poder Judiciário e o ministro Gilmar Mendes. O pano de fundo do embate é a recente escalada de tensões entre os dois, que incluiu trocas públicas de farpas de teor pessoal e, mais recentemente, uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-governador por supostos crimes contra a honra do ministro. Diante dos prefeitos, Zema rechaçou o que chama de “intocáveis de Brasília” e ironizou o excesso de centralização de poder na capital federal, defendendo que o STF e as demais instituições centrais sufocam a autonomia dos municípios e a liberdade de expressão dos cidadãos.
Ao falar para o público municipalista, Zema aproveitou para apresentar as bases do que chamou de um “plano implacável” para o Brasil, sintetizado no lema “poupar, privatizar, não roubar e prosperar”. Ele defendeu que os prefeitos conhecem a realidade local muito melhor do que “um esclarecido de Brasília” e que sua gestão será pautada pelo equilíbrio fiscal e corte de gastos públicos.
Com o movimento na Marcha dos Prefeitos, Romeu Zema sinaliza que não pretende recuar diante das pressões jurídicas e políticas, adotando uma postura de confronto direto para rivalizar tanto com o governo federal e o Judiciário quanto com as lideranças tradicionais da própria direita.





