O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) consolidou de vez o seu papel como o principal motor do mercado imobiliário brasileiro. Segundo o estudo Indicadores Imobiliários Nacionais, divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com o Secovi-SP, o programa federal respondeu por 49% — praticamente metade — de todas as vendas de novas residências no país durante o primeiro trimestre.
Mesmo enfrentando um cenário macroeconômico adverso, caracterizado pelo endividamento das famílias e pela taxa Selic mantida no elevado patamar de 14,5% ao ano, a busca por imóveis no Brasil demonstrou forte resiliência. Ao todo, foram comercializadas 110.722 unidades residenciais no trimestre, o que representa uma alta de 4,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Desse total, o MCMV foi responsável por 54.510 unidades vendidas, registrando um crescimento de 10% dentro do próprio segmento. No acumulado dos últimos 12 meses, as vendas totais no país atingiram a marca de 438.012 unidades, impulsionadas sobretudo pela região Sudeste, que concentrou mais da metade dos negócios.
Apesar do forte desempenho nas vendas, o setor acendeu um sinal de alerta em relação aos novos investimentos. Influenciados pelas taxas de juros elevadas e pelo aumento nos custos de insumos da construção civil, os lançamentos de novos projetos imobiliários recuaram 5% no trimestre, somando 97,8 mil unidades. O programa Minha Casa, Minha Vida também sustentou essa ponta do mercado, sendo responsável por cerca de metade de tudo o que foi lançado no período.
De acordo com Ely Wertheim, vice-presidente da área imobiliária da CBIC, o MCMV deixou de ser apenas uma política habitacional de cunho social para assumir uma posição central na sustentação da construção civil e do desenvolvimento econômico. Wertheim destacou que o programa passou a atrair e atender inclusive parcelas da classe média brasileira, que encontram dificuldades para obter financiamento tradicional com os juros atuais do mercado financeiro.
Apesar da queda recente nos lançamentos, a CBIC avalia que o volume de estoque atual do mercado é saudável e equilibrado, equivalente a cerca de 10 meses de vendas caso nenhum novo empreendimento seja apresentado. O setor projeta os próximos meses com cautela e monitora de perto as negociações sobre a regulamentação da Reforma Tributária, considerada fundamental pelas lideranças industriais para garantir a previsibilidade jurídica e conter a pressão inflacionária nos custos das obras.





