Rússia e Ucrânia trocam acusações após ataque com drone à usina nuclear de Zaporíjia


Moscou e Kiev entram em novo embate sobre a segurança da maior usina nuclear da Europa. O governo russo afirma que um drone ucraniano atingiu o prédio de turbinas do reator número 6 da central de Zaporíjia, localizada em território ucraniano, mas atualmente sob controle de forças russas. Por sua vez, as autoridades militares da Ucrânia negam categoricamente a autoria do ataque, classificando as alegações russas como uma manobra de propaganda e desinformação.

O relato de Moscou e os danos na estrutura

Segundo Alexey Likhachev, chefe da corporação estatal de energia nuclear da Rússia (Rosatom), um drone carregando explosivos atingiu a sala de turbinas do Bloco 6 da usina. Likhachev afirmou que o ataque foi “deliberado” e detalhou que o artefato abriu um buraco em uma das paredes externas da estrutura.
Apesar do susto e do impacto visual, a administração local controlada pela Rússia e a própria Rosatom confirmaram que:

  • Os equipamentos principais de resfriamento e os reatores não sofreram danos operacionais.
  • Os níveis de radiação na área permanecem estritamente dentro da normalidade.
  • Não houve registro de vítimas ou feridos decorrentes da explosão.

Kiev nega o ataque e aponta “provocação”

O Comando de Defesa do Sul da Ucrânia emitiu um comunicado oficial rebatendo os comunicados russos. Os militares ucranianos afirmaram que suas forças operam em total conformidade com o direito humanitário internacional e que jamais realizariam ações que colocassem em risco instalações nucleares.
A defesa da Ucrânia também apresentou argumentos técnicos para desmentir a acusação:

“Os relatos divulgados pelos recursos de ocupação são mais uma tentativa de desacreditar a Ucrânia e ocultar as próprias ações criminosas da Rússia. O modelo de drone com cabo de fibra óptica mencionado por Moscou não possui o alcance nem a capacidade de carga necessários para causar o tipo de dano estrutural alegado.”

Alerta global: AIEA adverte sobre “brincar com o fogo”

O incidente acendeu o sinal de alerta na comunidade internacional. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, expressou séria preocupação com o ocorrido e reforçou que qualquer ataque contra o perímetro de uma usina nuclear representa um risco inaceitável.
“Atacar instalações nucleares é como brincar com o fogo”, alertou Grossi em comunicado.

A equipe de inspetores da AIEA que está baseada permanentemente em Zaporíjia solicitou acesso imediato ao edifício da turbina afetada para realizar uma avaliação técnica independente e verificar a extensão real dos danos. Atualmente, os seis reatores da usina encontram-se em estado de “desligamento frio” (cold shutdown), o que reduz as chances de um desastre imediato, mas a estabilidade elétrica e estrutural da planta segue sob constante ameaça devido à proximidade com a linha de frente dos combates.

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