Polarização, Herança e A Disputa pelo Palácio Iguaçu
A corrida eleitoral de 2026 rumo ao Palácio Iguaçu ganha contornos de alta volatilidade e grande apelo nacional no Paraná. De um lado, a consolidação de nomes com forte projeção midiática e apelo conservador; de outro, a movimentação de uma oposição que busca se reestruturar para garantir espaço no segundo turno.
1. A Estratégia de Requião Filho (PDT) e a Busca pelo Segundo Turno
A migração de Requião Filho do PT para o PDT — marcada pela busca por uma identidade trabalhista e nacionalista — deu ao deputado estadual maior autonomia para articular sua candidatura. Como líder da oposição na Assembleia Legislativa (ALEP), Requião Filho vem construindo sua pré-candidatura pautada na crítica direta às concessões públicas, aos modelos de pedágio e na defesa do funcionalismo e dos investimentos estatais.
Nas pesquisas mais recentes, Requião Filho desponta na segunda colocação isolada ou consolidada na disputa por uma vaga no segundo turno, oscilando entre 18% e 24% das intenções de voto no primeiro turno. A estratégia do pedetista foca em:
- Herança Política e Recomposição de Base: Capitalizar o recall histórico do brizolismo e do legado de seu pai, Roberto Requião, especialmente no interior e entre o eleitorado progressista.
- Contraponto ao Atual Modelo: Posicionar-se como a principal voz de oposição à gestão estadual e às forças de direita.
- Captação do Voto Útil da Esquerda: Aglutinar as forças de oposição ao redor do seu nome para garantir a ida ao segundo turno, superando concorrentes do centro e da base governista.
2. O Fator Sergio Moro (PL) e o Domínio das Pesquisas
No polo oposto, o senador Sergio Moro, agora filiado ao Partido Liberal (PL), lidera a corrida eleitoral com cerca de 39% a 40% das intenções de voto. A ida de Moro para o PL alinhou sua pré-candidatura ao eleitorado conservador e bolsonarista do estado, garantindo uma base sólida, sobretudo entre o eleitorado evangélico e nas faixas de maior renda.
No entanto, o cenário traz desafios para o pré-candidato do PL:
- Apoio Local vs. Nacionalização: Embora lidere com folga as simulações de primeiro e segundo turno, Moro enfrenta alta rejeição em parcelas do eleitorado de esquerda e centro.
- O Desafio do Segundo Turno: Nas projeções de segundo turno contra Requião Filho, Moro atinge 48% contra 29% do pedetista. A chave para a oposição será testar os limites do teto eleitoral do senador durante o horário eleitoral e os debates.
3. Perspectivas para o Cenário Eleitoral
Com o afunilamento das candidaturas e o alto índice de indecisos na pesquisa espontânea, o quadro no Paraná aponta para um embate altamente ideológico e polarizado:
O Palácio Iguaçu caminha para ser o palco de uma disputa simbólica nacional: a direita conservadora representada por Sergio Moro contra a vertente trabalhista de oposição liderada por Requião Filho.
À medida que as convenções partidárias se aproximam, a capacidade de Requião Filho em ampliar suas alianças além do campo progressista tradicional será determinante para saber se sua evolução nas pesquisas se converterá em uma força competitiva capaz de desafiar o favoritismo de Moro em um eventual segundo turno.
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