Ministério da Saúde planeja incluir remédio injetável contra HIV no SUS após negociação de preço

RIO DE JANEIRO — O Ministério da Saúde prepara o envio, à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), da proposta para incorporar o cabotegravir à rede pública de saúde. Trata-se de um medicamento injetável de ação prolongada que atua como Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) na prevenção do HIV. A expectativa do governo federal é que a tecnologia esteja disponível no SUS até o final do ano.
​O anúncio foi realizado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro. A medida ocorre após o alinhamento de um valor considerado adequado com a farmacêutica ViiV Healthcare, controlada pela GSK, responsável pela fabricação do insumo.
​Diferente do esquema atual de PrEP oferecido na rede pública — que exige o uso de comprimidos diários de tenofovir e entricitabina —, o cabotegravir é aplicado por meio de injeção intramuscular a cada dois meses. A facilidade na aplicação é vista por especialistas como um divisor de águas para ampliar a adesão, especialmente entre populações mais vulneráveis ou pessoas que enfrentam limitações no uso diário de pílulas.
​Avaliação técnica e próximos passos
​Embora o pedido formal chegue à Conitec nos próximos dias, a oferta no SUS ainda passará pelo rito regulatório do colegiado, que analisará as evidências de eficácia, segurança e o impacto orçamentário para o sistema público. A Conitec emitirá uma recomendação favorável ou desfavorável, cabendo à decisão final do Ministério da Saúde.
​Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023 e disponível no mercado privado brasileiro desde agosto de 2025, o cabotegravir possui valor de custo elevado na rede particular (chegando a cerca de R$ 4 mil por dose). O acordo governamental prevê preços significativamente menores para permitir o ganho de escala na rede pública.
​Outras tecnologias de longa duração no radar
​O avanço na prevenção combinada do HIV também conta com alternativas de menor periodicidade no cenário internacional, como o lenacapavir — injeção semestral do laboratório Gilead. No entanto, o Ministério da Saúde ressaltou que as negociações por esse segundo fármaco não avançaram devido aos custos elevados propostos pela fabricante.
​Com a entrada da PrEP injetável bimestral no horizonte do SUS, o Brasil avança no fortalecimento das estratégias de combate ao vírus, somando a novidade às ações de testagem rápida, distribuição de preservativos e tratamento contínuo com antiretrovirais.


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