Fed e Copom rompem alinhamento de datas em julho e explicação envolve calendário e tradição de decisões

​O mercado financeiro acostumou-se a acompanhar a chamada “Super Quarta”, evento em que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, e o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, anunciam suas decisões sobre as taxas de juros no mesmo dia. No entanto, reuniões em julho trazem uma dinâmica diferente, marcando o desencontro de agendas entre as duas instituições.

​A razão principal para essa separação está na estrutura do calendário de cada órgão. Enquanto o Copom realiza suas reuniões a cada 45 dias — somando oito encontros ao longo do ano —, o Fed opera com um cronograma próprio de oito reuniões anuais que não segue um intervalo estritamente fixo em dias, ajustando-se a feriados e períodos específicos do calendário norte-americano.

​As diferenças de ritmo entre Fed e Copom

  • Federal Reserve (Fed): Costuma realizar uma reunião ao final de julho antes do tradicional recesso de verão no Hemisfério Norte e do simpósio de Jackson Hole, que ocorre em agosto.
  • Copom: Segue a regra dos 45 dias. Por conta do espaçamento das reuniões anteriores do ano, a decisão do Banco Central do Brasil para este ciclo acaba caindo na semana seguinte ou em datas desalinhadas em relação ao Fed.

​Por que o mercado monitora a “Super Quarta”?

​A coincidência de datas costuma atrair atenção dobrada dos investidores porque a taxa de juros norte-americana influencia diretamente o fluxo de capital global, o câmbio e a inflação em países emergentes. Quando o Fed ajusta a taxa Fed Funds, o impacto no dólar reage quase instantaneamente, servindo de pano de fundo direto para as avaliações de risco do Copom ao definir a taxa Selic.

​Mesmo quando os anúncios não ocorrem no mesmo dia, o mercado segue atento às sinalizações de Jerome Powell (presidente do Fed) e Roberto Campos Neto (ou da diretoria do BC do Brasil), já que as decisões de política monetária nos EUA continuam a ditar o tom das expectativas econômicas globais.


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