Em depoimento prestado à Polícia Federal, o proprietário e presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, reconheceu a existência de uma “cultura de omissão” quanto ao registro de problemas e falhas técnicas na frota da companhia aérea. A declaração surge no âmbito das investigações sobre o acidente do voo 2283, ocorrido em agosto de 2024 na cidade de Vinhedo, interior de São Paulo, que resultou na morte de 62 pessoas.
O avião, um modelo ATR-72, caiu em um condomínio residencial enquanto cobria a rota entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). O caso se tornou uma das maiores tragédias da aviação civil brasileira nos últimos anos e levantou uma série de questionamentos sobre os procedimentos de manutenção e fiscalização da empresa.
Apurações e desdobramentos
As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) buscam identificar as causas do acidente e apurar eventuais responsabilidades criminais e administrativas dos executivos e órgãos reguladores.
Principais pontos sob investigação:
- Histórico de manutenção: Relatos e registros sobre o estado de funcionamento dos sistemas da aeronave.
- Condições meteorológicas: A presença de gelo severo na rota do voo no momento da queda.
- Procedimentos internos: A conduta da empresa no reporte e na gestão de falhas recorrentes na frota.
O depoimento do presidente da Voepass reforça a hipótese de falhas sistemáticas na gestão de segurança da informação técnica da frota. As apurações continuam em andamento e os relatórios finais devem determinar o impacto dessas omissões na tragédia.
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