Vídeos gravados por criminosos mostram a engrenagem por trás das falsas centrais de atendimento bancário e revelam como atuam os golpistas
Vídeos gravados pelos próprios integrantes de organizadas redes criminosas trouxeram à tona o funcionamento detalhado dos golpes da “falsa central de atendimento bancário”. Com o auxílio de simulações computadorizadas, voz profissional e até scripts de abordagem psicológica, criminosos conseguem se passar por gerentes ou agentes de segurança de grandes instituições financeiras para enganar correntistas e esvaziar contas de forma praticamente invisível.
As apurações policiais recentes expõem a divisão de tarefas dentro dessas quadrilhas, que operam em diferentes estados do país. Enquanto operadores realizam as chamadas usando falsos protocolos de atendimento e dados privilegiados das vítimas, recrutadores cooptam “laranjas” para emprestar ou alugar contas bancárias. Em desdobramentos operacionais contra essa prática, três suspeitos — Riany Carla de Almeida Ewald, Michael Arcanjo Goedert Mais e Renato Marcelino Cazaroto — foram presos pelas forças de segurança após movimentarem valores desviados de um médico idoso de Goiânia, evidenciando o alcance interestadual do esquema.
De acordo com as investigações da Polícia Civil e orientações da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a abordagem se baseia no medo da vítima de sofrer uma perda financeira. Os criminosos ligam informando sobre uma suposta transação suspeita ou compra indevida no cartão de crédito. A partir disso, orientam a vítima a acessar o aplicativo do banco ou clicar em links enviados por mensagem para supostamente “cancelar a operação” ou “proteger a conta”. Na realidade, esses procedimentos autorizam transferências via Pix, financiamentos e retiradas de limites pré-aprovados.
Para se proteger desse tipo de fraude, a orientação das autoridades e dos órgãos de defesa do consumidor é clara:
- Nunca forneça senhas ou códigos: Bancos não solicitam senhas, tokens de validação ou códigos recebidos por SMS em ligações telefônicas.
- Não faça transferências de emergência: As instituições financeiras jamais pedem para o cliente transferir recursos para contas de terceiros como medida de segurança.
- Desconfie do número no visor: Golpistas usam tecnologia de mascaramento de número (como o chamado spoofing) para fazer parecer que a chamada vem da central oficial do banco.
- Desconecte e ligue de outro aparelho: Ao suspeitar de uma abordagem, desligue a chamada imediatamente e entre em contato com o canal oficial do seu banco digitando manualmente o número constante no verso do cartão.
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