SÃO PAULO — Em um movimento que acendeu o sinal de alerta no setor financeiro, o Banco do Brasil admitiu publicamente ter cometido uma falha estratégica na concessão de cartões de crédito. O problema culminou em um pico imprevisto de inadimplência no segmento de pessoas físicas, levando a instituição a travar a oferta da linha para conter novos prejuízos.
A declaração e o anúncio de ajustes operacionais ocorreram no contexto da divulgação dos resultados do segundo trimestre, afetando diretamente o desempenho das ações do banco no mercado de capitais.
O impacto no crédito para pessoas físicas
Segundo fontes do mercado e analistas financeiros, o modelo de concessão adotado pelo banco expansionista gerou uma deterioração acelerada da qualidade da carteira. Com o aumento do não pagamento por parte dos clientes de cartão de crédito, a instituição financeira tomou medidas drásticas de restrição e endurecimento dos critérios de análise.
- Piora no perfil de risco: A elevação dos calotes concentrou-se principalmente na carteira de pessoas físicas, um dos segmentos de maior margem, porém de maior vulnerabilidade diante do cenário econômico atual.
- Trava na concessão: O limite de crédito de parte dos clientes foi suspenso ou reduzido, e a emissão de novos cartões passou a enfrentar critérios substancialmente mais rigorosos.
Reação do mercado e perspectiva dos analistas
A reação dos investidores foi imediata. A divulgação do balanço e a admissão do erro geraram forte volatilidade na Bolsa de Valores, pressionando os papéis da estatal para baixo durante o pregão.
”A piora na qualidade do crédito para pessoas físicas acende uma luz amarela sobre a capacidade de originação do banco. Embora a medida de travar a linha seja necessária para estancar a sangria, os riscos e as provisões para devedores duvidosos ainda devem pesar nos próximos trimestres”, apontam analistas de mercado.
Apesar das incertezas no curto prazo, a diretoria do Banco do Brasil reforça que as correções de rota já foram implementadas e que o foco principal agora é a recuperação de crédito e o controle rigoroso da inadimplência para os próximos trimestres.
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