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Sócio de empresa ligada à produtora de Dark Horse é apontado pelo MP como integrante do PCC e responde por feminicídio

Sócio de empresa ligada à produtora de Dark Horse é apontado pelo MP como integrante do PCC e responde por feminicídio

Investigações e auditorias contratuais revelaram novos desdobramentos sobre a rede de contatos e negócios que envolvem entidades associadas à produtora do filme Dark Horse. Documentos do Ministério Público e de órgãos de inteligência da polícia apontam que o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido no crime organizado como “Escorpião do PCC”, mantinha ligações comerciais com entes ligados à produção do longa-metragem.

Alex Leandro figurou, até o final de 2025, como sócio único da empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. A empresa foi uma das prestadoras de serviço contratadas pelo Instituto Cultural Beneficente (ICB) — entidade presidida por Karina Gama, ligada à estrutura da produtora de Dark Horse — para a instalação de pontos de internet e Wi-Fi comunitário em favelas da capital paulista.

Omissão de dados e suspeita de blindagem

As apurações do Ministério Público chamaram a atenção para irregularidades na formalização do contrato entre o ICB e a empresa de Alex. Na primeira versão da documentação contratual, o empresário aparecia qualificado apenas pelo primeiro nome (“Alex”), omitindo-se seu sobrenome, número de CPF e RG. O contrato foi regularizado posteriormente, mas os investigadores apuram se houve omissão deliberada de informações e possível manobra para blindagem patrimonial, após a transferência formal do controle da empresa para terceiros.

Apesar dos vínculos financeiros da Favela Conectada para o fornecimento de internet social, análises de órgãos oficiais destacam que não há registros de que Alex tenha participado diretamente da produção cinematográfica do filme Dark Horse ou de que mantivesse relações interpessoais com os executivos da obra para além da prestação de serviços de telecomunicação.

Em nota e manifestações anteriores, a defesa de Karina Gama e os representantes da entidade afirmaram que a contratação seguiu critérios técnicos de mercado, argumentando que a empresa já atuava no setor e que apresentou todas as certidões fiscais e tributárias exigidas no momento do acordo.

Acusação de feminicídio e histórico criminal

Paralelamente às investigações de lavagem de dinheiro e ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), Alex Leandro Bispo dos Santos enfrenta graves acusações na esfera criminal comum. O empresário responde como réu na Justiça de São Paulo pelo feminicídio de sua companheira, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos.

A vítima faleceu após cair do 10º andar de um edifício na Vila Andrade, Zona Sul de São Paulo, em dezembro de 2025. O Ministério Público denunciou Alex por homicídio qualificado, sustentando que ele arremessou a companheira da sacada do apartamento. Embora o empresário alegue inocência em relação ao feminicídio — afirmando que a vítima teria se projetado do balcão —, o Tribunal de Justiça aceitou a denúncia e ele permanece com prisão decretada enquanto aguarda o desfecho do processo criminal.

As autoridades policiais e o Ministério Público seguem analisando os desdobramentos dos contratos firmados por empresas ligadas ao empresário para identificar eventuais fluxos de lavagem de dinheiro decorrentes de atividades do crime organizado.


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