Governo Lula solicita investigação sobre repasse milionário dos EUA direcionado à contestação do STF
A poucos dias do pleito eleitoral, o governo federal solicitou formalmente a abertura de uma apuração sobre a possível interferência estrangeira e o financiamento de redes políticas no país. A medida foi tomada após uma reportagem do jornal britânico The Guardian revelar que a administração do presidente norte-americano Donald Trump alocou US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões) de um fundo global para a criação de um programa intencionado a atuar contra o que classifica como “lawfare e censura no Brasil”.
A verba faz parte de um pacote de US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado dos EUA, cuja aplicação passou por reestruturações sob a gestão Trump para focar em pautas de oposição a decisões judiciais, anticomunismo e liberdade de expressão.
Reação de Brasília e alvos da investigação
O pedido conduzido por órgãos federais, incluindo a Advocacia-Geral da União (AGU), busca mapear os fluxos financeiros do subsídio internacional e verificar se organizações da sociedade civil ou agentes políticos locais receberam os valores. O objetivo é averiguar se houve tentativa de ingerência no debate democrático do país ou violação da legislação brasileira sobre soberania e integridade das eleições.
A destinação dos recursos reflete o aumento do atrito diplomático entre Washington e o Judiciário brasileiro nos últimos meses, intensificado após medidas de retaliação e sanções impostas por autoridades dos EUA a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Bastidores e contestações em Washington
Documentos apontados pela apuração do The Guardian indicam que os repasses enfrentaram resistência interna no próprio Congresso norte-americano. A senadora democrata Jeanne Shaheen tentou reter a liberação das verbas sob o alerta de potencial contaminação do ambiente eleitoral brasileiro. Contudo, a retenção foi contornada por decisão do secretário de Estado, Marco Rubio, via memorando executivo.
Até o momento, os documentos revelados registram a reserva orçamentária no Departamento de Estado para entidades civis, sem comprovação direta de repasse a partidos políticos ou candidaturas registradas no Brasil. O governo brasileiro declarou que aguardará o avanço das diligências investigativas para avaliar possíveis contramedidas no âmbito diplomático e jurídico.
Reportagem em vídeo sobre o suposto financiamento dos EUA contra o STF
Esta reportagem em vídeo contextualiza as denúncias publicadas na imprensa internacional e detalha as desdobramentos diplomáticos entre os governos de Brasil e Estados Unidos.
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