ESQUEMA NA SANEPAR: Novos áudios detalham rede de corrupção, chantagens e caixa dois para pagar dívidas de campanha de Ratinho Jr.
As denúncias de corrupção envolvendo a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e o Governo do Estado entraram em uma nova e crítica fase nesta reta final de dezembro de 2025. O vazamento de novos áudios e documentos do diretório estadual do PSD aprofunda as suspeitas de que a estatal estaria sendo utilizada como fonte de arrecadação ilegal para quitar dívidas milionárias da campanha eleitoral do governador Ratinho Jr.
O teor das gravações: dinheiro vivo e intimidação
Os diálogos revelados mostram uma movimentação explícita de recursos à margem da lei. Em trechos das gravações, são citados repasses de aproximadamente R$ 200 mil por operação, com cifras que chegariam a R$ 600 mil entregues “em mãos”. A estratégia de utilizar dinheiro em espécie visava, segundo os interlocutores, evitar o rastreamento do sistema financeiro.
Além do aspecto financeiro, os áudios revelam um “seguro contra demissões”: os envolvidos admitem guardar cópias das conversas como instrumento de chantagem e proteção pessoal. Caso alguém fosse afastado de cargos estratégicos ou o esquema fosse descoberto, as gravações seriam utilizadas como moeda de troca ou retaliação.
Conexão com a dívida do PSD
O deputado Requião Filho (PDT), líder da oposição, apresentou documentos que ligam os áudios a uma autorização recente do Diretório Nacional do PSD. O documento permite que o diretório paranaense assuma uma dívida superior a R$ 3,4 milhões. Para o parlamentar, a coincidência de valores e prazos reforça a tese de que a Sanepar foi loteada para gerar recursos destinados a cobrir esse rombo eleitoral.
“Isso é crime eleitoral, é caixa 2, é corrupção. Estavam arrecadando para cobrir gastos de campanha sob o pretexto de nomeações e manutenção de cargos”, afirmou Requião Filho em pronunciamento recente.
Pressão por investigação e impacto no mercado
Em conjunto com o deputado Arilson Chiorato (PT), a oposição protocolou representações formais em diversos órgãos:
- Polícia Federal e Ministério Público: Para investigação de crimes de corrupção e organização criminosa.
- CVM (Comissão de Valores Mobiliários): Por ser a Sanepar uma empresa de capital aberto, o suposto desvio de finalidade e a fraude na gestão podem acarretar severas sanções no mercado de capitais.
- Tribunal de Contas e Agepar: Para auditoria de contratos específicos, especialmente da gerência regional Nordeste da estatal.
Os parlamentares também exigiram que a Casa Civil entregue a lista completa de nomeações e exonerações da Sanepar, Copel e Cohapar referentes ao último trimestre de 2022, buscando identificar se as movimentações de pessoal coincidem com os pagamentos citados nos áudios.
Resposta do Governo
Em notas oficiais recentes, o Governo do Estado e a Sanepar têm classificado as denúncias como “pauta velha” e tentativas de desgaste político por parte da oposição. O governo alega que os casos citados já foram alvo de medidas administrativas internas, incluindo demissões por justa causa de envolvidos em irregularidades passadas, e que não haveria fatos novos que justificassem a abertura de novas frentes de investigação. No entanto, o surgimento de áudios inéditos e a conexão com a dívida do PSD mantêm o caso no centro do debate político paranaense.







