BUENOS AIRES — Mais de trinta parlamentares de oposição apresentaram, na Câmara dos Deputados da Argentina, um projeto de declaração de repúdio contra o presidente Javier Milei. A medida ocorre após declarações classificadas como “extremamente graves” proferidas pelo líder argentino contra autoridades brasileiras durante a convenção do Partido Liberal (PL) realizada no último fim de semana em São Paulo, evento que oficializou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O movimento no Congresso argentino é encabeçado pelo deputado e ex-ministro das Relações Exteriores Jorge Taiana. Segundo o parlamentar, as ofensas proferidas por Milei ferem os princípios da política externa do país e prejudicam as históricas relações bilaterais entre as duas nações.
”As declarações de Milei nos envergonham como argentinos. Elas violam os princípios de não intervenção e autodeterminação dos povos, colocando em risco os laços de cooperação e o comércio estratégico entre nossos países”, declarou Taiana ao apresentar a proposta.
Escalação da crise diplomática
Durante seu discurso no evento político em solo brasileiro, Javier Milei dirigiu ofensas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. As declarações geraram forte reação do governo brasileiro e desencadearam um dos momentos de maior tensão diplomática recente entre os dois países.
Em resposta imediata, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) adotou medidas formais:
- Convocação para consultas: O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado de volta a Brasília.
- Reprimenda diplomática: O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, foi intimado a prestar esclarecimentos no Itamaraty.
Repercussão interna na Argentina
Além da iniciativa liderada por Taiana na Câmara dos Deputados, governadores de províncias argentinas também manifestaram repúdio à postura do chefe de Estado. O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, usou as redes sociais para declarar que o presidente argentino “não representa o sentimento do povo” e informou ter entrado em contato direto com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, para tentar conter os danos diplomáticos e econômicos da crise.
A matéria legislativa apresentada em Buenos Aires deve entrar na pauta das próximas comissões da Câmara Baixa para ser apreciada pelos parlamentares.
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