Com Milei, Kast e Fujimori, direita avança e redesenha o mapa político da América Latina

​A América Latina vive um novo momento de inflexão ideológica. Nos últimos anos, o continente — que havia experimentado uma recente ascensão de governos progressistas — passou a registrar uma sucessiva sequência de vitórias da direita e da centro-direita. Esse movimento reconfigura o equilíbrio de poder regional, cria novos blocos de aliança e isola lideranças tradicionais do campo progressista.

​O avanço nas urnas e os novos nomes do mapa

​O avanço conservador manifesta-se através de diferentes vertentes, que vão desde o liberalismo econômico incisivo ao conservadorismo de segurança pública.

  • Argentina: A ascensão de Javier Milei consolidou uma das viradas ideológicas mais drásticas da região, pautada por reformas liberais profundas e duro combate à inflação.
  • Chile e Peru: A vitória de nomes representativos da direita, como José Antonio Kast no Chile e Keiko Fujimori no Peru, reforçou a tendência de guinada em países andinos.
  • Colômbia e Bolívia: O ciclo recente incluiu a eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia e a vitória de Rodrigo Paz na Bolívia, encerrando períodos de predomínio da esquerda nesses territórios.
  • Equador e Paraguai: A consolidação de lideranças de centro-direita e direita, como Daniel Noboa e Santiago Peña, complementa o cinturão conservador na América do Sul.

​O que explica a expansão da direita na região?

​Especialistas e analistas internacionais apontam que o movimento pendular da política latino-americana não decorre apenas de preferências doutrinárias, mas de respostas pragmáticas da população a gargalos estruturais:

  1. Insegurança e crime organizado: A pauta da segurança pública tornou-se a prioridade do eleitorado. Propostas severas contra o crime e fortalecimento do aparato policial ganharam forte adesão popular.
  2. Desgaste dos governantes de turno: O descontentamento com a inflação, o baixo crescimento econômico e casos de corrupção penalizou as administrações em exercício, alimentando a busca pela oposição.
  3. Polarização e comunicação digital: Estratégias diretas de comunicação nas redes sociais permitiram que discursos antissistema e antipolítica conectassem de forma direta com as demandas do eleitorado jovem e da classe média.

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